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Blog JORNALISMO NAS AMERICAS

Brasil registra dois assassinatos de jornalistas em apenas dois dias



Sete meses após o último registro de um jornalista assassinado em represália por seu trabalho no Brasil, o país registrou dois assassinatos de jornalistas em apenas dois dias.

Ueliton Brizon (Facebook)

Ueliton Bayer Brizon, de Cacoal, no Estado de Rondônia, e Jefferson Pureza Lopes, de Edealina, no Estado de Goiás, foram assassinados a tiros nos dias 16 e 17 de janeiro respectivamente.

Brizon era proprietário do site Jornal de Rondônia, suplente de vereador e presidente municipal do partido Partido Humanista da Solidariedade (PHS) na cidade de 90 mil habitantes na região Norte do país.

Na manhã do dia 16, o jornalista, acompanhado de sua esposa, se deslocava de moto quando foi alvo de vários disparos feitos por um homem que estava em outra moto e fugiu após o atentado, segundo reportou o G1. Sua esposa não ficou ferida no ataque.

No site Jornal de Rondônia, Brizon publicava notícias da cidade e da região, com especial atenção para a política local e estadual. Seu assassinato está sendo investigado pela divisão de homicídios da 1ª Delegacia de Polícia de Cacoal. Nenhum suspeito havia sido detido até o dia 19 e a polícia considera a hipótese de que o assassinato esteja relacionado ao trabalho de Brizon como jornalista.

Já o radialista Jefferson Pureza Lopes foi assassinado com três tiros na cabeça, dentro de sua casa no município de 3.700 habitantes na região Centro-Oeste, conforme reportou Mais Goiás. Ele conduzia o programa “A Voz do Povo”, na rádio Beira Rio FM, no qual denunciava supostas irregularidades da administração pública e criticava autoridades municipais e regionais.

Segundo amigos de Lopes afirmaram à imprensa, o radialista vinha recebendo ameaças há pelo menos dois anos por seu trabalho. “Ele recebia ligações anônimas de pessoas dizendo que se ele gostasse da família e dos filhos para ele parar com denúncias, se não ele morreria”, disse o agropecuarista Márcio Carlos de Souza, 36 anos, amigo de Lopes, ao G1.

No momento, ele trabalhava nas obras para reconstruir a sede da rádio que transmitia seu programa, destruída por um incêndio em novembro de 2017. A diretora da rádio, Cristina Leandro, disse ao Mais Goiás que este incêndio foi o segundo em um ano no local. A rádio já havia sido incendiada após as eleições municipais em outubro de 2016, período no qual Lopes foi bastante crítico a autoridades da região.

“Ele fez muitas críticas pesadas nesse período, o que nos leva a crer que foi um crime com motivação política”, afirmou Leandro. “Dessa vez jogaram combustível”, disse a diretora da rádio sobre o incêndio mais recente. “Não sobrou um microfone para contar a história. Foi tão forte que o teto desabou”. Segundo Mais Goiás, o laudo pericial dos dois incêndios ainda não foi divulgado.

Queops Barreto, delegado responsável pela investigação sobre o assassinato de Lopes, disse ao G1 que uma força-tarefa está sendo organizada para solucionar o caso. "A gente já sabe que foi uma execução. Foram dois criminosos que vieram até a residência e executaram, porque não houve subtração de bem algum. Por estar em um veículo de comunicação, ele possuía vários desafetos na cidade, então a gente não consegue definir ainda quem foi o mandante", afirmou.

Jefferson Pureza Lopes (Facebook)

Em comunicado divulgado em 18 de janeiro, a Repórteres Sem Fronteiras (RSF) pediu às autoridades que privilegiem nas investigações dos dois crimes a possível relação com o trabalho jornalístico das vítimas.

“A hipótese de que estes assassinatos estejam relacionados com o trabalho jornalístico deve ser uma linha privilegiada na investigação”, declarou Emmanuel Colombié, diretor regional para a América Latina da RSF. “A violência contra jornalistas e comunicadores críticos é recorrente no Brasil e constitui uma das principais ameaças ao direito à liberdade de expressão no país.”

A RSF e o Comitê para a Proteção de Jornalistas (CPJ) consideram que em 2017 houve um jornalista assassinado em represália por seu trabalho no Brasil: Luís Gustavo da Silva, de 25 anos, executado na cidade de Aquiraz, no Estado do Ceará, por causa das denúncias que fazia no blog De Olho em Aquiraz sobre o crime organizado na região.

De acordo com a RSF, pelo menos outros 10 jornalistas foram assassinados no país no ano passado, mas não havia elementos suficientes para sustentar a relação entre os crimes e o trabalho das vítimas.

Segundo a Unesco, 29 jornalistas fram assassinados no Brasil entre 2012 e 2016. De acordo com dados da organização, somente 11% dos 176 assassinatos de jornalistas na América Latina e no Caribe foram solucionados entre 2006 e 2015.








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