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Abraji aciona Programa Tim Lopes de Proteção a Jornalistas para investigar assassinato de radialista no Brasil



A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) anunciou em 24 de janeiro que membros da entidade vão investigar o assassinato do radialista Jefferson Pureza Lopes, morto a tiros no dia 17 de janeiro na cidade de Edealina, no Estado de Goiás.

Jefferson Pureza Lopes (Facebook)

Esta será a primeira ação do Programa Tim Lopes de Proteção a Jornalistas, lançado em setembro de 2017 com o objetivo de investigar assassinatos, tentativas de assassinato e sequestros de profissionais da imprensa e dar continuidade às reportagens interrompidas pelos autores dos crimes.

“Estamos coletando informações e eu acredito que uma visita ao local poderá nos ofeŕecer mais subsídios para outras visitas, caso fique claro que o homicídio está ligado a sua atividade como radialista”, disse Angelina Nunes, coordenadora do programa, ao Centro Knight.

Segundo anunciou a Abraji, Nunes e Rafael Oliveira, membro da equipe da entidade, chegarão no dia 28 de janeiro a Edealina, município com 3.700 habitantes na região Centro-Oeste do Brasil, e darão início à investigação do Programa Tim Lopes sobre o caso.

Pureza Lopes foi assassinado com três tiros na cabeça, dentro de sua casa, na noite do dia 17. Ele conduzia o programa “A Voz do Povo”, na rádio Beira Rio FM, no qual denunciava supostas irregularidades da administração pública e criticava autoridades municipais e regionais.

Ele vinha recebendo ameaças há pelo menos dois anos por seu trabalho, segundo alguns amigos e colegas disseram à imprensa após o assassinato. Dois incêndios haviam atingido a rádio em que trabalhava nos últimos dois anos, e o mais recente, em novembro de 2017, havia destruído integralmente os equipamentos e a estrutura física do local, que estava sendo reconstruído.

Os jornalistas que estão a caminho de Edealina realizaram uma pré-apuração sobre o caso, que incluiu uma verificação das condições de risco a que estariam submetidos, disse Daniel Bramatti, presidente da Abraji, ao Centro Knight. “A principal precaução é a notificação das autoridades locais, a quem caberá zelar pela segurança dos profissionais.”

A Abraji enviou um ofício informando o governador de Goiás, Marconi Perillo, e o secretário de Segurança Pública do Estado, Ricardo Balestreri, sobre a viagem dos dois jornalistas para investigar o assassinato. No documento, a entidade pede “especial atenção à segurança da equipe de reportagem” e reforça “o apelo para que a Secretaria de Segurança Pública priorize esta investigação, posto se tratar de um possível atentado à liberdade de imprensa e expressão”.

Bramatti afirmou que o governador e o secretário ainda não se manifestaram sobre a ida dos jornalistas a Edealina. Já o escritório local da Organização dos Advogados do Brasil (OAB) “se manifestou solidário ao nosso programa e se colocou à disposição”, disse Nunes.

Caso a investigação da entidade conclua que o assassinato de Pureza Lopes está ligado a seu trabalho como jornalista, uma equipe de repórteres de vários veículos do país viajará a Edealina para realizar reportagens sobre os temas que o radialista abordava em seu programa. “Alguns veículos e profissionais já foram contatados”, disse Bramatti, ressaltando que “a composição da rede só será anunciada se a apuração in loco demonstrar que sua formação é de fato necessária.”

A iniciativa brasileira, financiada pela Open Society Foundations, foi idealizada pelo jornalista Marcelo Beraba, primeiro presidente da Abraji. Ele se inspirou no Projeto Arizona, da organização norte-americana Investigative Reporters and Editors (IRE). Em resposta à explosão de um carro bomba em 1976 que matou o repórter Don Bolles em Phoenix, os colegas do jornalista viajaram para Phoenix para terminar seu trabalho de investigação.

O nome do projeto é uma homenagem ao repórter investigativo da TV Globo, Tim Lopes, que foi brutalmente assassinado em 2002 enquanto trabalhava em uma reportagem sobre bailes funk organizados por traficantes em uma favela no Rio de Janeiro. Sua morte, que fez 15 anos em junho passado, marcou a imprensa brasileira e motivou a criação da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo.

“O que esperamos é contribuir para o fim da impunidade nos crimes contra jornalistas e comunicadores, de forma a incentivar a redução dessas ocorrências”, disse o presidente da Abraji. “Temos clareza de que este é apenas um passo em um longo caminho.”




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