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Blog JORNALISMO NAS AMERICAS

Nascido no Twitter, Runrun.es se tornou um dos mais importantes e inovadores sites web de notícias na Venezuela



*Esta reportagem faz parte de um projeto especial do Centro Knight sobre Inovadores no Jornalismo Latino-Americano e Caribenho.


Todos os dias, em Caracas, repórteres de diferentes meios digitais independentes na Venezuela visitam os necrotérios da cidade para coletar dados sobre as vítimas do dia. Nome e sobrenome, as circunstâncias da morte e outras informações sobre a pessoa falecida são registradas em uma base de dados jornalística, e algumas histórias ou tendências especialmente relevantes são publicadas nos sites de maneira mais detalhada.

O Monitor de Vítimas foi criado em maio de 2017 e é dirigido pelo Runrun.es, um dos principais meios digitais independentes da Venezuela, e a associação civil Caracas Mi Convive. O projeto também conta com a colaboração de outros meios digitais venezuelanos - Efecto Cocuyo, Crónica Uno, El Pitazo e El Cooperante - e do jornal El Universal.

Usando uma combinação de jornalismo de dados, participação cidadã e jornalismo investigativo, o projeto abre uma janela essencial para a cidade mais violenta do mundo. É uma amostra do tipo de enfoque inovador na investigação jornalística que veio exemplificar o trabalho da Runrun.es, de seus líderes e repórteres. Esse tipo de flexibilidade e criatividade garantiu informações independentes para um país que luta diariamente contra a censura e os ataques do governo.

Caracas é a cidade mais violenta do mundo, de acordo com o ranking anual elaborado pela organização mexicana Conselho Cidadão para a Segurança Pública e a Justiça Penal sobre as 50 cidades mais violentas do planeta. Em Caracas acontecem a cada ano 130,35 homicídios por cada 100 mil habitantes. O segundo lugar está ocupado por Acapulco (México), com uma taxa de 113,24 homicídios, e em terceiro lugar está San Pedro Sula (Honduras), com 112,09. Quatro das dez primeiras cidades são venezuelanas: além de Caracas, aparecem Maturín, Guayana e Valência.

Na ausência de números oficiais e dados das vítimas, que o governo "esconde", segundo a coordenadora da unidade de investigação de Runrun.es, Lisseth Boon, a equipe encontrou uma solução com o Monitor de Víctimas.

O projeto Monitor de Víctimas é uma colaboração entre a sociedade civil e meios independentes na Venezuela (Captura de tela)

"Como não há acesso a informações oficiais sobre quantas pessoas morrem em Caracas, estamos construindo uma base de dados própria", disse Nelson Eduardo Bocaranda, diretor do site, ao Centro Knight.

Além de gravar dados básicos sobre as pessoas mortas, quando os repórteres identificam uma história que vale a pena destacar, publicam uma nota no site com a ajuda da associação civil Caracas Mi Convive. A organização e seus líderes comunitários muitas vezes fazem a ponte com as famílias dos falecidos para poder elaborar informações mais completas.

Além disso, a cada mês são publicados vários trabalhos jornalísticos a partir de tendências identificadas na base de dados. Por exemplo, casos de famílias com vários membros falecidos, ou a descoberta de que em seis meses "havia 530 menores de idade deixados órfãos de pais em Caracas", disse Carmen Riera, coordenadora de projetos especiais do site.

Runrun.es está preparando a segunda fase deste projeto jornalístico. O objetivo é que em abril o Monitor de Víctimas tenha seu próprio site com todos os dados abertos para a consulta de qualquer usuário (atualmente, a base de dados é de uso restrito dos jornalistas que trabalham no projeto). De acordo com Riera, este é o projeto "mais relevante" do site atualmente, tanto por sua duração como pela projeção.

Esta segunda fase do Monitor de Víctimas incorporará outros elementos inovadores, como um manual impresso e online para a redação de artigos com foco em direitos humanos e uma escola que providenciará oficinas práticas para jornalistas em várias províncias da Venezuela.

A origem de Runrun.es

O jornalismo investigativo e a constante busca de elementos inovadores no trabalho jornalístico são algumas das características principais do Runrun.es, um site independente que começou em 2009 como uma conta de Twitter e um blog, como contou Bocaranda.

Enquanto ainda estudava jornalismo na Universidade Católica Andrés Bello em Caracas, Bocaranda passou seis meses nos Estados Unidos - entre 2002 e 2003 - durante uma longa greve nacional na Venezuela e acabou trabalhando na AOL América Latina. "Foi a primeira vez que combinei o mundo digital com o jornalismo, que foram minhas duas grandes paixões", afirmou. Na AOL América Latina, ele cuidava de uma seção sobre a Venezuela de Hugo Chávez, do espaço "Raíces Latinas", sobre os latinos nos Estados Unidos, e da seção "Cuba Hoy". Depois de voltar à Venezuela e terminar seus estudos de jornalismo, ele trabalhou em áreas como produção audiovisual e comunicação.

Nelson Bocaranda pai. (Cortesia)

Seu pai, Nelson Bocaranda, é um veterano e renomado jornalista venezuelano com mais de 50 anos de experiência profissional. Ele publicava uma coluna muito lida na imprensa, chamada "Runrunes" (rúnrun significa "zunzum" em espanhol), e também tinha um programa de rádio e outro de televisão. Em 2009, em um ambiente de crescente censura e pressão sobre a mídia, "o programa de rádio do meu pai foi cancelado durante de um dia para outro devido às pressões do governo sobre a emissora", disse Bocaranda.

Então, um antigo chefe seu da AOL Latinoamérica e hoje diretor de Runrun.es contou-lhe sobre o Twitter e encorajou-o a abrir uma conta para seu pai, para que ele pudesse se conectar diretamente com seu público do rádio. "Naquele momento, o mundo do Twitter era muito incipiente", explicou Bocaranda, "mas começamos com 300 seguidores, 3.000 seguidores, 30.000 seguidores ... e dissemos: Ok, aqui está uma audiência que está ávida para se manter informada. Qual deve ser o próximo passo? E foi abrir um blog. "

Essa conta de Twitter e esse blog são as origens do que hoje é o Runrun.es. Na primeira fase, Nelson Bocaranda, o filho, trabalhava no blog à noite, deixando as notícias programadas para publicação no dia seguinte. Ele incluía notícias não só de seu pai, mas de vários colegas colaboradores.

"O blog foi ganhando força e, quando alcançamos as primeiras 100 mil leituras em um mês, decidimos que precisávamos de uma infraestrutura mais robusta", lembra Bocaranda. Assim foi criado o primeiro plano de negócios da Runrun.es, que, como hoje, tinha como principal fonte de renda a publicidade.

Os anos 2009 e 2010 foram de desenvolvimento e lançamento do blog Runrun.es. A doença do então presidente venezuelano Hugo Chávez propiciou outro momento chave para o projeto. Em novembro de 2012, Nelson Bocaranda, o pai, obteve informações médicas sobre a doença grave de que Chávez sofria, mas não foi autorizado a publicá-la no jornal para o qual colaborava. Assim, o blog Runrun.es tornou-se o espaço para publicar também esse material informativo, que imediatamente teve um enorme impacto.

Naquele ano, Nelson Bocaranda participou com outros jornalistas latino-americanos de um curso de jornalismo investigativo na Universidade da Califórnia em San Diego. Nesse curso, ele terminou de ajustar alguns aspectos do site Runrun.es, como a idéia de criar um departamento de investigação, que se tornou uma das principais características do que o Runrun.es é hoje. Esta equipe de investigação foi formalmente criada em maio de 2014.

20 profissionais

A atual equipe Runrun.es é composta por cerca de 20 funcionários. Em 2017, houve algumas baixas - profissionais que decidiram deixar a Venezuela -, então agora existem várias vagas que estão tentando preencher, incluindo duas na equipe de investigação. "O maior desafio de qualquer meio neste momento na Venezuela é manter a equipe", afirmou Bocaranda. "O pessoal treinado está deixando o país a uma velocidade acelerada".

A parte essencial da equipe Runrun.es é formada por sua redação e pela equipe de investigações jornalísticas, que somam dez profissionais. Além disso, o site tem três pessoas no departamento de vendas, duas pessoas no departamento gráfico e audiovisual e outras duas que trabalham na área de administração, além do diretor, Nelson Eduardo Bocaranda.

A equipe na sede de Runrun.es (Cortesia)
 

Por sua vez, a equipe de investigação, atualmente liderada por Boon e composta por profissionais com mais experiência, trabalha em três velocidades, de acordo com o diretor da publicação. Por um lado, realiza investigações "rápidas, de uma semana". Por outro lado, também trabalha em projetos com uma duração um pouco maior, de pelo menos um mês. Finalmente, a cada ano desenvolve um projeto especial - como o mencionado Monitor de Víctimas - , que geralmente inclui trabalho com bases de dados, visualizações e histórias jornalísticas relacionadas. É comum que essas investigações sejam realizadas em colaboração com outros meios.

O pai de Nelson Eduardo, Nelson Bocaranda, continua publicando no site sua coluna amplamente lida, "Los Runrunes de Bocaranda", e frequentemente vários destes artigos estão entre os dez mais lidos no mês. Ele também participa das reuniões editoriais semanais e está envolvido no trabalho da equipe investigativa. Sua vasta experiência e sua agenda de contatos são inestimáveis ​​para a equipe.

Jornalistas-chave

Duas das jornalistas-chave no projeto atual de Runrun.es são Riera e Boon. Ambas trabalharam na Cadena Capriles, que em certo momento contou com uma das maiores redações multimídia na Venezuela, composta por cerca de 300 profissionais.

Riera havia sido a diretora de Jornalismo Gráfico e Audiovisual da Cadena Capriles, onde foi responsável pelas áreas de design, fotografia, infografia, vídeo, arquivo e programação web. Ela saiu quando o grupo foi vendido em maio de 2014. Um ano depois, em junho de 2015, ela se juntou à Runrun.es como coordenadora da redação. No ano passado, Riera pediu para deixar parcialmente as operações do dia a dia do site e agora trabalha em meio período como coordenadora de projetos especiais, como o Monitor de Víctimas. Ela também é responsável pelo projeto atual de redesenho do site.

A atual responsável pela unidade de investigação de Runrun.es, Boon, havia trabalhado durante dez anos na equipe de investigação da Cadena Capriles. Como muitos outros jornalistas, ela acabou abandonando o grupo após sua venda a novos proprietários e subsequente mudança de linha editorial.

A unidade de investigação da Runrun.es teve três coordenadoras. A primeira foi Tamoa Calzadilla, que atualmente é responsável pelos Projetos Especiais e Investigações da Univision Noticias. Ela foi substituída por Ronna Rísquez, atual editora web de investigação e análise do crime organizado no InSight Crime ES. E desde o fim de 2017 Boon ocupa o cargo, embora tenha sido parte da equipe desde que ingressou no site.

Durante seus anos em Runrun.es, Boon trabalhou em várias investigações jornalísticas que receberam prêmios.

Uma delas era "uma reportagem sobre a contratação seletiva da Segurança Social", explica, em um momento "de uma terrível crise de escassez de quase 90% de suprimentos médicos e medicamentos." O trabalho “Familia zuliana guisó $455 millones ‘preferenciales’ en contratos a dedo con el Seguro Social”ganhou um Prêmio IPYS (sigla em espanhol para Instituto de Imprensa e Sociedade) para jornalismo investigativo.

Alguns trabalhos, conforme indicado, são realizados em colaboração com outros meios por razões de segurança e disponibilidade de recursos. Por exemplo, Runrun.es e sites como El Pitazo participaram da investigação dos Panama Papers, um projeto que na Venezuela foi liderado por Armando.info.

Outro trabalho feito em colaboração com Armando.info, El Pitazo e Poderopedia foi a reportagem “El sobrino favorito de Cilia Flores: El hombre detrás del tesoro”, que oferece um retrato de Carlos Erick Malpica Flores, sobrinho da advogada, política e primeira-dama da Venezuela Cilia Flores, esposa de Nicolás Maduro. Ex-Secretário do Tesouro e administrador das finanças da Petróleos de Venezuela (PDVSA), Malpica Flores era "um personagem que lidava com muito dinheiro e cujo rosto, foto ou nome não eram conhecidos", explicou Boon.

Modelo de negócio

Runrun.es é um site que, até o momento, não gerou lucros. Bocaranda explica que conseguiram equilibrar as receitas e as despesas "quase a metade dos meses". Quando não conseguem, contam com as contribuições dos sócios e acionistas do projeto, que têm “a convicção de que é necessário ter canais abertos para manter os cidadãos informados".

Soma-se a isso o fenômeno da hiperinflação vivida pela Venezuela há mais de um ano, que faz com que "qualquer orçamento seja aniquilado de um mês para o outro", explicou o diretor do site.

Para determinados projetos especiais de investigação, a Runrun.es solicitou ajuda a entidades internacionais. Isso ocorreu, por exemplo, com uma reportagem multimídia sobre a OLP (Operação de Libertação e Proteção do Povo), uma operação policial para combater a violência que começou em julho de 2015 durante o governo de Maduro. O site trabalhou com a plataforma de jornalismo para as Américas Connectas no projeto. “OLP: La máscara del terror oficial en Venezuela” denuncia como pelo menos 560 pessoas morreram na Venezuela através desta operação entre julho de 2015 e junho de 2017.

Bocaranda salienta que o objetivo com essas ações "é buscar renda adicional para nossos jornalistas. Aqui nosso compromisso é com os funcionários. Já sabemos que os meios não foram feitos para nos fazer milionários. É cada vez mais difícil ter um plano de negócio com meios digitais que gere grandes lucros. Penso que esse seja o desafio de toda a comunidade de mídia. Mas aqui o que estamos tentando é que nossos jornalistas tenham pelo menos salários decentes, que possam viver melhor do que o venezuelano comum está vivendo, e esse desafio já é bastante porque é cada vez mais difícil manter a qualidade de vida aqui."

Inovação em publicidade

Uma das áreas em que a Runrun.es tenta constantemente inovar é a publicidade, que é a principal fonte de renda do site. Runrun.es trabalha com adservers de diferentes países para tentar aproveitar ao máximo seu público internacional, que representa 30% do tráfego. Assim, tem acordos específicos para a venda de publicidade segmentada em Espanha, Estados Unidos e Colômbia, e está preparando um acordo no Panamá.

Mas a proposta mais original foi a criação, há dois anos, da Alianza Rebelde, um acordo entre a Runrun.es e os sites TalCual e El Pitazo para a venda conjunta de campanhas publicitárias. Bocaranda explicou o motivo desse acordo: "Nos demos conta de que se nos juntássemos a meios que têm uma linha editorial semelhante poderíamos ter melhores resultados" no mercado publicitário.

Esta aliança comercial não só ajudou a melhorar as vendas de publicidade, mas também promoveu a criação de alianças de conteúdo. De acordo com Bocaranda, na Venezuela "os grandes meios praticamente desapareceram em uma velocidade muito mais rápida do que no resto do mundo" devido a "pressões do governo, o que os levou a diminuir de tamanho".

"Os meios digitais independentes não têm os grandes orçamentos da mídia tradicional, e o que precisamos fazer são algumas alianças estratégicas em um ecossistema onde normalmente todos estaríamos competindo pelo público", explicou Bocaranda. Assim, as colaborações jornalísticas em que as equipes são compartilhadas são comuns, "para poder fazer uma cobertura efetiva e eficiente de fatos pontuais, como eleições ou protestos.”

Lançamento de um novo site

Com o objetivo de atrair os anunciantes que preferem não estar vinculados a informações relacionadas à situação política, econômica e social da Venezuela, a equipe Runrun.es está trabalhando no lançamento de um novo site. Como o diretor adiantou ao Centro Knight, será um site com informações práticas e dicas para a vida diária e terá uma marca completamente diferente da de Runrun.es.

Bocaranda explicou que "a questão política está tão marcada aqui que as marcas muitas vezes têm medo de anunciar, porque em um regime como o que estamos vivendo, não é surpreendente que, ao anunciar em uma mídia como o Runrun.es, os anunciantes depois recebam visitas de entidades governamentais ". O novo site, que pode ser lançado em três meses, "seria dedicado a questões que não são políticas para poder encontrar patrocínios", acrescentou Bocaranda.

Este novo projeto conta com uma equipe de quatro pessoas: uma coordenadora e três jornalistas. O site "está em fase final de desenvolvimento, com seções já definidas e começando a gerar conteúdo”, explicou o diretor.

Um dos modelos que inspirou Bocaranda na criação do novo site é o da BuzzFeed, no qual "a notícia trivial acaba por financiar as notícias e investigações reais", afirmou.

A equipe também está planejando o lançamento do site Runrun.es redesenhado nas próximas semanas. O projeto, coordenado por Riera, simplificará a estrutura do site e apostará na visualização de dados. Também pretende oferecer uma melhor experiência de usuário e melhorar os tempos de carregamento.

Riera adiantou ao Centro Knight que, com o novo design, Runrun.es terá quatro seções principais: notícias, Los Runrunes de Nelson, opinião e investigação - eles querem dar mais relevância a esses projetos, como o Monitor de Víctimas e outros especiais.

Audiência

O tráfego do site está muito ligado à atualidade política e social da Venezuela. Os últimos meses foram "muito turbulentos", disse Bocaranda, e isso fez com que a audiência ficasse "entre 7 e 10 milhões de usuários únicos por mês". No entanto, em outros momentos, quando a atividade política tem menos relevância, o tráfego é menor.

A redação de Runrun.es (Cortesia)

Aproximadamente 70% do tráfego de Runrun.es vem da Venezuela. Os 30% restantes são divididos entre os Estados Unidos, Colômbia e Espanha, e também, embora em menor grau, entre países como o Panamá, o Chile, a Argentina ou o México, que também são destinos da onda migratória venezuelana.

As redes sociais e o Twitter, em particular, são parte essencial da proposta Runrun.es e, de fato, do menu informativo para os venezuelanos em geral. O diretor de Runrun.es explica que "a primeira coisa que um venezuelano faz quando ele acorda é verificar o Twitter porque você nunca sabe o que está acontecendo em qualquer lugar da cidade". As redes também servem "para alertar os vizinhos de coisas como onde há pão, onde há farinha e outras coisas básicas", acrescentou.

Para Runrun.es, redes como Twitter e Facebook funcionam como "multiplicadores da mensagem", disse o diretor, uma vez que se referem ao que é publicado na página. Mas, além disso, as redes também desempenharam um papel essencial quando o site foi vítima de ataques cibernéticos por razões políticas. Bocaranda explica que, nesses casos, o Facebook foi usado para publicar informações completas da Runrun.es, e Twitter "para manter nosso público informado sobre os ataques que recebemos" e para indicar onde as notícias podiam ser lidas. Há alguns meses Runrun.es não sofre ataques, mas esse risco força o site a alocar um orçamento importante para a segurança dos servidores.

Runrun.es também possui um canal no Telegram, que é dirigido a cerca de 8.000 pessoas, e "que funciona como um megafone" do que o site publica, disse Bocaranda. Este canal é especialmente orientado para o público millennial, então utiliza "uma linguagem e um senso de humor completamente diferente do resto de nossas comunicações em outras redes sociais", disse o diretor, que cita o site Verne, do jornal espanhol El País, como fonte de inspiração quanto ao tom utilizado. "Tentamos mantê-lo tão divertido quanto possível", disse ele.

Compromisso jornalístico

As ameaças contra os meios independente e a liberdade de imprensa na Venezuela não vão parar a equipe Runrun.es, diz Boon: "Não nos impede de trabalhar por um segundo. Enquanto pudermos, continuaremos, queremos crescer, trabalhar mais, continuar informando, investigando, porque aqui na Venezuela há muito trabalho a ser feito. Eu acho que é um dos lugares mais emocionantes para fazer jornalismo ".

Riera corrobora que "continuar a lutar, de modo que a censura não prevaleça" e expor "a corrupção que existe neste governo" é o que os motiva a continuar reportando. "Não podemos permanecer em silêncio, deve haver um registro de todas as atrocidades, de toda a corrupção e de tudo o que aconteceu aqui e continua a acontecer", disse ela.


A série "Inovadores no Jornalismo", que é possível graças ao generoso apoio da Open Society Foundations, abrange as tendências e as melhores práticas da mídia digital na América Latina e no Caribe. Ele continua nossa série anterior, transformada em ebook, Jornalismo Inovador na América Latina, ao analisar as pessoas e equipes que lideram iniciativas inovadoras de reportagem, narrativa, distribuição e financiamento na região.

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