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Blog JORNALISMO NAS AMERICAS

Livro sobre tratamento de fontes jornalísticas reúne depoimentos de 20 renomados jornalistas ibero-americanos



O livro recentemente lançado “Háblame de tus Fuentes” ("Me conte sobre suas fontes", em tradução livre) é uma reflexão sobre a relação entre o jornalista e suas fontes de carne e osso. Esta pesquisa, iniciada há seis anos, reúne experiências e aprendizados de 20 importantes jornalistas investigativos da América Latina e da Espanha.

Livro "Háblame de tus Fuentes" (Captura de tela)

Tudo começou como um projeto de tese em 2012, nas salas de aula da Pontifícia Universidade Católica do Peru (PUCP), em Lima. Luisa Garcia Tellez, a jovem jornalista peruana autora deste livro, tentou em seu texto percorrer as etapas que um jornalista atravessa para conseguir uma fonte, para estabelecer e manter um relacionamento profissional e de confiança com ela, e respeitar eticamente as condições dessa relação.

Para sua pesquisa, Garcia buscou jornalistas como Marcela Turati (México), Gustavo Gorriti (Peru), Francisca Skoknic (Chile), Luz Mely Reyes (Venezuela), Javier Darío Restrepo (Colômbia), Daniel Santoro (Argentina), Eva Belmonte (Espanha), entre outros jornalistas de notável trajetória no campo do jornalismo investigativo.

"Creio que, quando comecei em 2012, não tinha nem sombra das conclusões a que cheguei no fim do processo de pesquisa. Foi todo um processo que, se não tivesse durado os seis anos que durou, eu não poderia ter conseguido alcançar", Garcia disse ao Centro Knight.

Uma das explicações de "fontes" que Garcia traz em seu livro as define como "aquelas pessoas que decidem se envolver no processo de busca da verdade que o repórter conduz".

Como gerar confiança no relacionamento com a fonte jornalística, com que atitude aproximar-se delas dependendo do contexto, que questões de segurança considerar para publicar o que elas disseram. Onde propor uma reunião a fim de salvaguardar a identidade da fonte, como lidar com o aspecto ético na gestão da fonte e sua informação, qual o papel que o editor desempenha durante a investigação, são as principais questões abordadas por García em seu texto para através das entrevistas realizadas.

Com base nos aprendizados compartilhados por seus entrevistados, García conclui, por meio de check-list, que as pessoas que se tornam fontes adquirem direitos ao assumir esse papel, como receber tratamento justo do jornalista. E que a dignidade das fontes e a verdade da informação devem ser preservadas, como sugerido por Javier Darío Restrepo.

Edmundo Cruz, um dos mais respeitados jornalistas investigativos do Peru, também mencionou, segundo o livro de Garcia, uma série de princípios éticos do exercício jornalístico sobre a gestão jornalística das fontes.

Esses princípios são quatro: independência, o que explica que nunca deve haver nenhum condicionamento sobre a informação dada; a verdade; responsabilidade pelo que o jornalista informará com base no que foi dito pela fonte; e respeito pela privacidade das fontes. Cruz qualificou este quarto e último princípio ético como "vital".

Sobre contatar proeminentes jornalistas para sua pesquisa, Garcia disse que havia alguns entrevistados que levou anos para entrevistar, como Restrepo, que buscava desde 2015. "Me alegrei muito que [Restrepo] seja a última [entrevista], porque com o caminho avançado vieram melhores perguntas e conclusões", disse Garcia.

Atualmente, a jornalista combina a docência na escola de jornalismo da PUCP com sua colaboração como jornalista investigativa freelance na IDL-Reporteros e outras mídias.

São 500 os exemplares impressos nesta primeira tiragem, e a versão digital do livro já está disponível gratuitamente neste link.




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