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Governo do Equador confirma mortes de dois jornalistas e motorista do jornal El Comercio, sequestrados por dissidentes das FARC



"Com profundo pesar, lamento informar que o assassinato de nossos compatriotas foi confirmado", escreveu o presidente equatoriano, Lenín Moreno, em sua conta no Twitter no começo da tarde de 13 de abril. O presidente confirmou publicamente a morte dos dois jornalistas e do motorista do jornal El Comercio, sequestrados no fim de março por um grupo dissidente das FARC.

(Captura de pantalla)

O jornalista Javier Ortega (32), o fotógrafo Paúl Rivas (45) e o motorista Efraín Segarra (60), funcionários do jornal equatoriano, foram sequestrados no dia 26 de março em Mataje, na província equatoriana de Esmeraldas, adjacente à fronteira do Equador com a Colômbia. O sequestro, como confirmaram autoridades de ambos os países, foi perpetrado pela Frente Óliver Sinisterra, um grupo dissidente das FARC comandado por Walter Arizala, conhecido como "Guacho".

Depois de declarar luto no país, o presidente equatoriano informou que as operações militares de segurança que haviam sido suspensas  para proteger a vida dos reféns foram retomadas na área do sequestro, publicou o El Comercio. Ele também estabeleceu uma recompensa de US$ 100 mil por qualquer informação que leve ao paradeiro de Walter Arizala, publicou o jornal equatoriano.

Na manhã de 13 de abril, o canal colombiano RCN recebeu um comunicado assinado pela Direção da Frente Óliver Sinisterra, no qual o grupo guerrilheiro pediu que fossem feitos os esforços humanitários necessários para a coleta dos corpos, informou a Fundamedios.

Moreno anunciou que já está coordenando o resgate dos corpos com agentes de paz como o Comitê Internacional da Cruz Vermelha, informou o El Comercio.

As notícias sobre a possível execução dos sequestrados começaram a circular em 11 de abril, quando o grupo Oliver Sinisterra divulgou uma nota nas redes sociais na qual afirmava ter matado os sequestrados e responsabilizava os governos do Equador e da Colômbia, informou Infobae.

"Faz-se saber à opinião pública e aos familiares dos três detidos equatorianos que o governo do Equador e o ministro da Colômbia não quiseram salvar a vida dos três detidos", disseram no comunicado. "Eles fizeram isso por meios militares, fazendo pousos em vários pontos onde os homens estavam detidos, o que resultou na morte dos dois jornalistas e do motorista", continuou a mensagem, de acordo com Infobae.

O ministro do Interior do Equador, César Navas, negou na ocasião que manobras militares tivessem sido realizadas fora das negociações com o grupo armado para resgatar os sequestrados, informou El Telégrafo.

Por volta das 13h30 de 12 de abril, o canal RCN recebeu três fotografias dos supostos corpos dos reféns, informou a Fundação pela Liberdade de Imprensa (FLIP) da Colômbia.

O canal RCN - que há dez dias publicou um vídeo que mostrou os jornalistas e o motorista vivos em cativeiro - entregou este material à FLIP, e por volta das 15 horas do dia 12 de abril, a fundação o entregou ao governo colombiano, segundo a FLIP. Ao mesmo tempo, a Fundação Andina para a Observação e Estudo de Mídia (Fundamedios) do Equador notificou o governo de seu país sobre a existência das fotografias em questão e também enviou o material para as famílias dos reféns, de acordo com a FLIP.

Em 12 de abril, depois de tomar conhecimento das fotografias, o presidente equatoriano disse, por meio de sua conta no Twitter, que estava deixando a Cúpula das Américas em Lima para retornar a Quito, acompanhado dos parentes dos reféns. Moreno deu um ultimato de 12 horas ao grupo guerrilheiro para que mostrasse uma prova contundente de que os reféns estavam vivos, caso contrário ele atacaria militarmente a área com o apoio das forças armadas colombianas, publicou a FLIP.

Os familiares dos reféns chegaram a Lima, Peru, na noite de 11 de abril, para buscar uma reunião com o presidente equatoriano sobre o caso e obter maior visibilidade internacional sobre sua situação, segundo o site peruano Publimetro. Eles pediram maiores esforços diplomáticos com o governo colombiano para garantir a libertação de seus entes queridos, informou o site.

Em uma resolução emitida na manhã de 12 de abril, a CIDH solicitou que “os governos do Equador e da Colômbia adotassem as medidas necessárias para salvaguardar a vida e a integridade pessoal de Javier Ortega Reyes, Paúl Rivas Bravo e Efraín Segarra Abril”, publicou El Comercio.

Anteriormente, a FLIP condenou que ambos os governos não haviam feito o suficiente nem recorrido a organizações internacionais, ou instituições como a Igreja Católica, para mediar com os sequestrados a fim de conseguir a liberação oportuna dos jornalistas e do motorista.

Rosental Alves, fundador e diretor do Centro Knight para o Jornalismo nas Américas e do ISOJ, abriu o 19º Simpósio Internacional de Jornalismo Online (ISOJ) em 13 de abril, em Austin, expressando seu pesar ao saber dos assassinatos.

“Esta manhã devo começar com uma nota triste porque um amigo jornalista do Equador acaba de me dizer que os jornalistas equatorianos sequestrados na Colômbia foram assassinados”, disse Alves.

O diretor pediu justiça para os mortos e para que o crime não fique impune, como acontece com muitos assassinatos de jornalistas na América Latina e no mundo.




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