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Sátira facilita diálogo sobre temas delicados, dizem participantes do ISOJ 2018




Por Sierra Juarez

Usar sátira e humor pode ajudar a criar diálogos em torno de temas delicados e controversos, especialmente em países com liberdade de expressão restrita, segundo disseram participantes do 19º Simpósio Internacional de Jornalismo Online (ISOJ), em 14 de abril.

Painel sobre sátira no jornalismo no ISOJ 2018: Farai Monro, Haris Dedović, Juan Andrés Ravell, Carlos Cortés, Vahe Nersesian, Marianna Grigoryan, Isam Uraiqat e King Muriuki. (Foto: Mary Kang)

Os membros do painel disseram que o humor torna possível se dirigir a pessoas em lugares de poder e responsabilizá-las. Organizações de notícias satíricas também podem tratar de assuntos que podem estar fora dos limites da mídia tradicional, disseram em uma conversa moderada por María Teresa Ronderos, diretora do programa da Open Society de jornalismo independente.

A sátira é um "último recurso em muitos aspectos" para áreas sem pleno direito à liberdade de expressão, de acordo com King Kahiga Muriuki, da Buni Media, no Quênia.

"O governo queniano não tem um bom histórico com a liberdade de imprensa", acrescentou.

No entanto, Muriuki disse que sua equipe foi capaz de usar a sátira a seu favor, o que lhe permitiu tocar em assuntos delicados.

"A sátira é uma ferramenta importante e muitas vezes intocável, onde conversas consideradas muito sensíveis ou muito controversas devem acontecer", disse ele.

Samm Farai Monro, fundador da Magamba Network, no Zimbábue, ecoou essa ideia, dizendo que sua organização fornece uma narrativa diferente daquela da estação de TV estatal do país.

Ele brincou que as pessoas no Zimbábue têm liberdade de expressão, mas "nós apenas não temos liberdade após a expressão". Embora a organização tenha enfrentado ameaças de um desligamento e seu produtor tenha sido preso, os jornalistas continuam a criar conteúdo em vídeo.

"Isso nos causou muitos problemas, mas estamos atingindo uma grande audiência jovem", disse ele.

Várias das organizações representadas no painel disseram que usam a sátira para destacar a verdade, que pode ser difícil de encontrar em ambientes de mídia de certos países.

La Mesa de Centro, uma organização de notícias na Colômbia, usa a sátira para combater as falsas narrativas em uma região onde poucas organizações de mídia são não afiliadas a influências externas, de acordo com o criador do site de notícias, Carlos Cortés.

A fim de combater a desinformação, a organização cria vídeos com personagens que usam a sátira para combater a narrativa do governo, na esperança de tornar as pessoas mais engajadas com a verdade.

"Queremos envolver as pessoas na política, não queremos aliená-las", disse Cortés.

Šatro, um meio de comunicação na Bósnia e Herzegovina, faz algo semelhante a La Mesa de Centro, de acordo com o seu director executivo, Haris Dedović. A organização tenta fazer fact-checking com humor.

"O que fazemos é tentar ridicularizar algumas coisas que estão na mídia convencional ... e tentamos apontar [as narrativas] na direção certa, e acreditamos que estamos fazendo isso, especialmente com as pessoas mais jovens", disse ele.

Uma maneira de apontar as narrativas “na direção certa” é manter-se informado sobre os eventos atuais e criar conteúdo satírico que seja oportuno, de acordo com o cofundador do projeto El Chigüire Bipolar, Juan Andrés Ravell. Ele disse que isso ajuda a verdade a sobreviver em um ambiente político difícil.

"O timing é importante ... basicamente informamos nosso público", disse ele sobre como os temas da organização abordam os eventos atuais na Venezuela. Isso torna a organização capaz de não apenas manter seus leitores engajados nos eventos atuais, mas também oferecer comentários sobre questões e acontecimentos.

Um grupo armênio, a ONG Rede Internacional de Jornalistas Umbrella, também usa sátira para comentar notícias políticas, disse Marianna Grigoryan, cofundadora e presidente. Ela disse que isso ajuda as pessoas a "entender suas realidades".

"Nossas charges trazem uma discussão muito ativa ... Todos os dias nossos leitores esperam para ver qual será nossa reação a um acontecimento", disse ela.

E as charges e outras formas de sátira podem realmente mudar as narrativas e provocar discussões profundas, de acordo com os participantes do painel.

Medialab.am descobriu que seus cartuns criaram diálogos na Armênia, que ele disse ter sido fortemente policiado e censurado. Vahe Nersesian, cofundador e cartunista da Medialab.am, disse que reconheceu isso depois de fazer uma exposição ao ar livre de seus cartuns.

"Percebemos que nossos desenhos são importantes e têm poder", disse ele.

Incitar conversas é uma responsabilidade essencial da organização de notícias satíricas - mesmo que nem sempre seja uma conversa agradável, disse Isam Uraiqat, editor do Alhudood, um site pan-árabe de sátiras políticas.

Alhudood criou um chatbot que permite que seus leitores interajam com a organização de notícias. Ele tem a opção de deixar as pessoas xingarem no chatbot e, em seguida, orienta as pessoas nas etapas de esclarecimento do que as irritou.

"Nós os forçamos a articular sua raiva em uma conversa", disse ele.

Este é um dos muitos papéis que a sátira deve desempenhar, disse Uraiqat. Trata-se de estimular conversas e discussões mais profundas sobre conversas que as pessoas tendem a evitar, acrescentou.

“Sátira é ser capaz de rir de si mesmo, ser capaz de ver seus próprios erros…. e é sobre não tratar os líderes como entidades intocáveis”, disse ele. "É levar as coisas menos a sério, mas, paradoxalmente, também se trata de levar as coisas mais a sério porque você envolve pessoas em assuntos sobre os quais elas deixaram de se importar."




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