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ICFJ lança manual de ética jornalística para a era digital, em espanhol



O Centro Internacional para Jornalistas (ICFJ) publicou recentemente um guia contemporâneo sobre os princípios éticos que devem reger o jornalismo de hoje, considerando o contexto da era da mídia digital.

(Reprodução)

"Apesar das mudanças tecnológicas, os princípios de buscar a verdade, dar voz àqueles que não têm voz, ser responsáveis ​​pelo que fazemos, agir com independência e transparência para com nosso público devem continuar a orientar o trabalho jornalístico", é uma das principais conclusões do manual em espanhol de Ética Jornalística na Era Digital. O documento destaca a credibilidade como um valor fundamental do jornalismo no século 21.

A realização do guia foi possível graças à colaboração do Escritório da Unesco em Montevidéu, Uruguai, e do Governo da Suécia. Seus autores são Luis Manuel Botello, vice-presidente de Novas Iniciativas e Impacto do ICFJ, e Javier Darío Restrepo, diretor do Escritório de Ética da Fundação Gabriel García Márquez para o Novo Jornalismo Ibero-Americano (FNPI, na sigla em espanhol).

"O jornalista é um servo do público", disse Restrepo ao Centro Knight. Para o autor, este manual pode contribuir mostrando aos leitores que o jornalismo tem uma valiosa oportunidade de se reinventar neste momento. "Enfatizando a identidade do jornalista e sua profissão: servir a sociedade através da informação", disse ele.

Segundo o renomado e veterano jornalista colombiano, este documento não trata de reinventar a ética jornalística, mas de aplicá-la a uma nova história da profissão.

Como a tecnologia confere mais poder aos usuários, aumenta a demanda por prestação de contas, disse Restrepo. O público cresceu, as possibilidades de acesso às fontes de informação se multiplicaram, "isso intensifica o dever de oferecer informações mais seguras", afirmou.

Para Botello, o outro autor do guia, um dos aspectos mais difíceis que atualmente representam um desafio ao jornalismo é a maneira pela qual a informação se torna viral nas redes sociais, "que muitas vezes não é baseada em eventos reais, mas em falsidades". Outro grande desafio, ele disse, é a expansão das opções de mídia. Agora, "todos reportam, mas como sabemos quais dessas fontes são confiáveis ​​nesse novo ecossistema?", questionou Botello em conversa com o Centro Knight.

O jornalismo que é feito nas redes sociais não é tão profundo quanto o feito na mídia tradicional, porque as informações geralmente vêm em formatos rápidos que apelam para as emoções e podem ser compartilhadas rapidamente, disse Botello. "Estamos em um momento em que precisamos de mais contexto, maior profundidade, maior credibilidade, maior confiança e maior conexão com o público", afirmou.

Botello também considerou que a sociedade civil deveria ser mais ativa e crítica do conteúdo jornalístico que consome, que deveria fazer uso do pensamento crítico para exigir mais profundidade das fontes de informação.

Com 32 páginas, o guia é composto de 10 pequenos ensaios em forma de capítulos que exploram tópicos como pós-verdade, independência editorial, o caráter imediatista das notícias, sensacionalismo, modelos de negócio atuais e a importância de fazer um jornalismo de maior qualidade, entre outros.

O manual do ICFJ faz parte de um projeto maior, iniciado há pouco mais de um ano, que incluiu a produção de cinco reportagens em vídeo sobre ética jornalística e a criação do microsite Ética jornalística no século 21.

Os temas abordados nos vídeos lidam com a proliferação de notícias falsas e a necessária verificação de dados, jornalismo em áreas violentas, os dilemas éticos da cobertura jornalística, a responsabilidade pelas consequências da publicação de certos tipos de informação e como adaptar os princípios éticos tradicionais para a nova era digital.

Grande parte do conteúdo dos vídeos e os depoimentos dos especialistas entrevistados foram incluídos no manual de ética.

Também como parte do projeto, e também com o apoio da Unesco e do governo da Suécia, foi realizada uma conferência sobre ética jornalística. Essa conversa ocorreu no dia 4 de dezembro de 2016, no Panamá, no âmbito dos quatro dias de atividades da Conferência Latino-Americana de Pesquisa em Jornalismo (COLPIN), organizada anualmente pelo Instituto Imprensa e Sociedade (IPYS) e pela Transparência Internacional




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