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Estudo aponta que jornalistas venezuelanos trabalham em meio a ameaças e precariedade econômica



Jornalistas venezuelanos trabalham em um ambiente muitas vezes caracterizado por ameaças, precariedade econômica, recursos limitados e poucas oportunidades de emprego.

Isso de acordo com um estudo de 2018 da Medianálisis, uma organização sem fins lucrativos dedicada a estudar jornalismo e mídia na Venezuela. Nos últimos quatro anos, uma equipe de jornalistas profissionais analisou condições de trabalho, censura, transparência e outros elementos da profissão no país.

"Em geral, as pesquisas realizadas anualmente desde 2015 nos permitem confirmar que a situação piorou gradualmente nos últimos anos", disse Andrés Cañizalez, diretor da Medianálisis, ao Centro Knight. "Não há expectativas de uma situação política, econômica ou social melhor para o país ou para os jornalistas, e isso aumenta a emigração massiva de venezuelanos".

Segundo o estudo, 54% dos jornalistas na Venezuela foram vítimas de agressões ou ameaças por causa da linha editorial do meio de comunicação para o qual trabalham. "Mais da metade dos entrevistados atribui essas agressões ao governo", concluiu o estudo.

Mais de um terço desses ataques e ameaças não são relatados às autoridades porque consideram que não obterão a devida atenção e resposta. "Apenas em uma pequena proporção houve processos judiciais e sanções contra os agressores", afirmou.

A pesquisa é baseada em 50 questões que revelam experiências pessoais e opiniões de 350 jornalistas que trabalham em diferentes meios de comunicação.

Com esta investigação, a organização procura expor a necessidade de melhorar a prática do jornalismo e os cenários que se apresentam para esta profissão dentro da sociedade venezuelana.

O relatório sustenta que, devido à situação econômica no país, os jornalistas recorreram a outros meios para complementar sua renda principal. Muitas vezes as opções não estão relacionadas à sua profissão.

Um dos gráficos apresentados na pesquisa indica que pouco mais da metade dos jornalistas venezuelanos recebem menos de dois salários mínimos por um mês de trabalho, enquanto apenas um em quatro supera o pagamento de quatro salários mínimos para um mês de trabalho.

Para contextualizar, em agosto de 2018 o presidente, Nicolás Maduro, aumentou o salário mínimo de 5.200.000 bolívares por mês (menos de US$ 1 na taxa de câmbio do mercado negro) para 180.000.000 bolívares por mês (cerca de US$ 28).

Outro gráfico do estudo mostra que 43% dos jornalistas entrevistados declararam que trabalham apenas no meio de comunicação que consideram seu trabalho principal, enquanto 57% indicaram que realizam dois ou mais trabalhos para poder pagar por suas necessidades.

"Há muitas condições precárias, mas o empobrecimento experimentado pelo jornalista venezuelano é muito grave, porque sabemos por experiência que para jornalistas mal remunerados ou em situação econômica precária será mais difícil exercer sua profissão de forma independente", disse Cañizalez.

De acordo com o relatório, consultorias, publicidade e ensino são algumas das atividades adicionais que eles usam para complementar sua renda, enquanto outros trabalham em empregos não relacionados ao jornalismo.

"Essas outras ocupações variam de comerciante a fornecedor de alimentos ou roupas usadas, a atividades como gerenciamento de redes sociais, corretor de seguros, decoração, relações públicas e transporte", segundo a pesquisa.

Além das oportunidades de emprego, a pesquisa revelou que um em cada quatro jornalistas não sabe se existem protocolos para refutar notícias fraudulentas, o que leva a uma incapacidade de garantir a qualidade e a veracidade do conteúdo que chega ao público.




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