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Repórteres podem cobrir Amazônia com novo fundo de US$ 5,5 milhões para cobertura jornalística sobre florestas tropicais



Jornalistas que trabalham na Amazônia agora têm um novo fundo à sua disposição para ajudar a realizar a cobertura da região graças, em parte, à iniciativa de repórteres que trabalham na área.

O governo norueguês e o Pulitzer Center on Crisis Reporting recentemente lançaram o Rainforest Journalism Fund (fundo de jornalismo sobre florestas tropicais) para alocar US$ 5,5 milhões em cinco anos para cobertura de conscientização sobre problemas globais em florestas tropicais e mudanças climáticas.

Antonio Campoy (CC BY 2.0)
 

O fundador e diretor executivo do Pulitzer Center, Jon Sawyer, disse ao Centro Knight que a Iniciativa do Clima e da Floresta da Noruega (NICFI) contatou sua organização em outubro de 2017 para propor a ideia de administrar o fundo. O NICFI é um órgão do Ministério Norueguês do Clima e Meio Ambiente.

“Dissemos que gostaríamos muito de participar, desde que o Fundo fosse estruturado de forma a garantir a independência editorial das reportagens”, disse Sawyer.

Segundo Sawyer, a iniciativa partiu de um grupo de jornalistas que cobrem questões ambientais amazônicas em países sul-americanos. Jonathan Watts, editor de questões ambientais globais do jornal britânico The Guardian, entre outros jornalistas da América do Sul, foi um dos principais promotores da ideia, segundo Sawyer.

“Fomos apresentados pelo NICFI a Jonathan Watts como um dos vários jornalistas que incentivaram a criação de um fundo de jornalismo específico para a Amazônia”, disse o diretor do Pulitzer Center. “Ele e outros membros do que hoje é nosso Comitê Consultivo da Amazônia estiveram conversando informalmente sobre a criação de tal fundo; suas ideias e sugestões foram uma contribuição importante para nossas próprias discussões com o NICFI”.

Watts revelou ao Centro Knight que a ideia para o fundo veio essencialmente de uma conversa que ele teve no Brasil com amigos jornalistas que compartilhavam as mesmas preocupações sobre a cobertura jornalística na Amazônia.

“Era algo sobre o que eu pensava abstratamente há alguns anos porque queria fazer mais histórias e passar mais tempo na Amazônia, mas às vezes sentia-me constrangido pelos altos custos das viagens”, disse Watts. “Eu não tinha certeza se era só eu, mas quando conversei com Simon, Thomas, Fabiano, Dani e Eliane no ano passado, todos pareciam pensar que era útil ter um fundo. Então, discutimos como isso poderia funcionar e depois sugeri que nos aproximássemos do governo norueguês. ”

O trabalho de reportagem na região é difícil e caro, “mas crucialmente importante para a humanidade entender e responder às ameaças existenciais de desmatamento, perda de biodiversidade e mudança climática”, disse Watts sobre o impacto que o fundo poderia ter, em um comunicado à imprensa do Pulitzer Center.

O fundo multimilionário pretende organizar oficinas e conferências regionais anuais, além de financiar cerca de 200 reportagens da mídia local e regional durante os cinco anos em que estará em operação. A fim de cobrir as principais regiões das vulneráveis ​​florestas tropicais do mundo, o fundo terá três comitês de assessoria jornalística, que selecionarão as reportagens a serem financiadas em cada região.

Watts presidirá o comitê consultivo sobre a Amazônia. Os membros dos comitês africano e asiático serão eleitos nos próximos meses.

De acordo com Watts, o papel do comitê consultivo será selecionar os projetos jornalísticos e aconselhar os jornalistas participantes em oficinas anuais de treinamento, para que haja uma “voz regional forte na tomada de decisões”.

Além de Watts, os outros membros do comitê na Amazônia são Simón Romero, correspondente nacional do The New York Times; Thomas Fischermann, correspondente no Rio de Janeiro para o jornal alemão Die Zeit; Adriana León, correspondente no Peru para o Los Angeles Times e diretora de liberdade de imprensa do Instituto Imprensa e Sociedade (IPYS); Eliane Brum, jornalista e cineasta brasileira, colunista do El País da Espanha; Daniela Chiaretti, correspondente ambiental brasileira e jornalista do site Valor Econômico em São Paulo; e Fabiano Maisonnave, correspondente na Amazônia pela Folha de S. Paulo.

Segundo Romero, a ideia desse comitê é fortalecer a cobertura dos jornalistas que trabalham na região amazônica. “Nossas discussões sobre as operações do fundo estão ocorrendo em uma mistura de idiomas, incluindo português, espanhol e inglês”, disse Romero.

“Fiz dezenas de viagens de reportagem à Amazônia durante meu tempo como correspondente no Brasil e na Venezuela, e cada vez me surpreendi com o que presenciei”, disse ele.

Durante os cinco anos de duração do projeto, o fundo também planeja treinar 75 jornalistas sobre como reportar em florestas tropicais e em primeiros socorros.

O Pulitzer Center, que administrará o projeto, é uma organização sem fins lucrativos fundada em 2008 com o objetivo de apoiar jornalistas interessados em cobrir questões e conflitos sobre o meio ambiente. Atualmente, de acordo com Sawyer, sua organização financia a cada ano cerca de 150 reportagens internacionais, muitas delas sobre mudanças climáticas e outras questões relacionadas a florestas tropicais.

Sawyer anunciou que eles vão publicar a convocatória para a apresentação de propostas de reportagens na página “jornalism grants” no site do Pulitzer nos próximos dias.




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