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Agentes da Polícia Nacional da Nicarágua ocupam redação da revista Confidencial



Nos últimos quatro dias, agentes da Diretoria de Operações Especiais (DOP) da Polícia Nacional da Nicarágua estão ocupando o prédio que abriga a redação da revista Confidencial, do programa Esta Semana e do programa de entrevistas Esta Noche, em Manágua.

Desde a noite de 14 de dezembro, quando as instalações foram tomadas, um ônibus da polícia chega à redação da Confidencial a cada 24 horas para render os policiais que montam guarda armados, denunciou o meio de comunicação em seu site.

Na manhã de 15 de dezembro, o editor Carlos Fernando Chamorro tentou, sem sucesso, recuperar a propriedade, relatou Confidencial. Os policiais presentes não lhe deram nenhuma explicação oficial e lhe disseram para levar suas perguntas à sede do DOP, informou o site.

Quando Chamorro foi com um grupo de jornalistas e sua esposa, Desirée Elizondo, à sede da Polícia Nacional da Nicarágua, em Manágua, para levar sua reivindicação, ele e sua equipe receberam empurrões, insultos, espancamentos, chutes e golpes com cassetetes da tropa de choque da polícia, de acordo com Confidencial.

Depois disso, Chamorro denunciou esta nova agressão contra a imprensa independente e disse em um vídeo postado em seu site que eles continuarão a exigir à ditadura o fim desta ocupação ilegal da redação de Esta Semana e Confidencial.

Além disso, ele alegou que "o governo está cometendo um ato ilegal de apreensão contra o direito à propriedade privada".

Um dia antes de a polícia assumir a redação, em 13 de dezembro, um grupo de policiais do DOP invadiu o local, destruindo portas e móveis e confiscando computadores, equipamentos e documentos.

Esta invasão, segundo Confidencial, ocorreu no contexto de cinco ONGs terem sido banidas de atuar no país pela Assembleia Nacional no mesmo dia. A sede do Centro Nicaraguense de Direitos Humanos (Cenidh) também foi invadida em 13 de dezembro, segundo El País.

Chamorro, que esclareceu que a mídia privada que lidera não está relacionada com as organizações bloqueadas pelo governo, descreveu a invasão de sua redação como um ataque deliberado contra a imprensa independente e anunciou que levaria seu caso à Suprema Corte.

O Relator Especial para a Liberdade de Expressão da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), Edison Lanza, disse ao Centro Knight há uma situação de extremo alarme e preocupação com a situação de perseguição que o governo nicaraguense desencadeou contra a mídia e jornalistas.

"A Nicarágua continua sendo responsável pelo direito internacional com relação à Convenção Americana sobre Direitos Humanos, o Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos, para garantir e salvaguardar a liberdade de expressão e processar judicialmente aqueles que atacam precisamente os jornalistas", disse Lanza.

Lanza acrescentou que já parece uma espécie de "ficção científica" que um governo ataque diretamente dissidentes, manifestantes e jornalistas. "É nosso dever reiterar: estes são crimes irrevogáveis ​​e devem ser penalizados agora ou no futuro, mas em particular, o mínimo que se pode pedir agora ao governo é dar fim ao assédio e à perseguição de jornalistas, restaurar a liberdade de expressão e progressivamente retornar à democracia ", disse ele.

 

A Associação de Jornalistas da Nicarágua (APN) condenou veementemente o confisco dos bens de Esta Semana, Esta Noche e Confidencial, segundo o site 100% Noticias. "Essas ações são a verdadeira face do projeto socialista orteguista que tenta submeter os direitos dos cidadãos ao capricho da nova ditadura paramilitar", disse a APN.

Em nota, integrantes do Conselho de Administração e do Conselho Diretor da Fundação Gabriel García Márquez para o Novo Jornalismo Ibero-americano (FNPI) repudiaram os atos de vandalismo e intimidação contra Confidencial. Eles também condenaram a agressão física contra Chamorro e sua equipe e sua esposa Desirée Elizondo pela tropa de choque.

A FNPI instou Ortega e a vice-presidente Rosario Murillo, sua esposa, a corrigir essas ações imediatamente, com uma condenação pública das ações policiais, o retorno das instalações onde o meio opera e de seus equipamentos e bens confiscados. Também deve haver, segundo a organização, um pedido público de desculpas das autoridades a Chamorro, a quem descreveram como um dos jornalistas mais proeminentes das Américas.

"Somos gratos por todas as mensagens e expressões de solidariedade nacional e internacional que recebemos em face desta agressão que não é apenas contra nós, contra a equipe de jornalistas de Confidencial e Esta Semana, e contra a imprensa independente do país, mas é também uma agressão contra os cidadãos que são os beneficiários do direito constitucional da liberdade de expressão ", disse Chamorro.

"Este é um ataque ao direito dos cidadãos de expressarem suas opiniões, é um ataque ao seu direito de criticar o governo, denunciar crimes e corrupção e continuar exigindo a renúncia do presidente Ortega e da vice-presidente Murillo, porque eles não estão autorizados a governar a Nicarágua. Nós, como jornalistas, reiteramos que não abandonaremos nosso compromisso com a verdade. Nunca aceitaremos a censura e a autocensura ", concluiu.




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