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Jornalistas nicaraguenses estão presos e incomunicáveis enquanto governo Ortega continua a atacar mídia independente




Por Teresa Mioli e Silvia Higuera

 

Passaram-se treze dias desde que dois jornalistas nicaraguenses independentes foram presos após a polícia entrar na estação de TV onde eles trabalhavam, obrigando-os a sair do ar.

Miguel Mora (Twitter)

O proprietário e diretor do 100% Noticias, Miguel Mora, e a diretora de notícias Lucía Pineda estão isolados e não podem ver familiares ou advogados, segundo o advogado Julio Montenegro, da Comissão Permanente de Direitos Humanos (CPDH, como reportou o La Prensa.

Os dois enfrentam acusações de "fomentar e incitar o ódio e a violência" e "provocação, proposição e conspiração para cometer atos terroristas", segundo a DW. Uma audiência inicial para Mora está prevista para 25 de janeiro.

A estação de notícias 100% Noticias foi invadida na noite de 21 de dezembro e Verónica Chávez, esposa de Mora, também foi detida, mas liberada horas depois, de acordo com a Confidencial. Arnulfo López, advogado da CPDH, disse durante uma coletiva de imprensa que Mora foi agredida por um policial durante a operação, informou a DW.

A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) condenou a prisão de Mora, as acusações e o fechamento da 100% Noticias.

“Com essa ação, o regime de Ortega mostra sua intenção de fechar todas as formas de expressão no país”, disse María Elvira Domínguez, presidente da SIP.

A coordenadora de programas das Américas Central e do Sul do Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ), Natalia Southwick, chamou o ataque de "uma escalada inaceitável da repressão do governo nicaraguense à mídia independente do país".

Lucía Pineda Ubau (Twitter)

A divisão latino-americana da organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) disse que "cobrir o que acontece com a oposição política não pode em nenhuma circunstância ser considerado um ato de terrorismo".

Um juiz também emitiu mandados de prisão para o comentarista político Jaime Arellano e os jornalistas Luis Galeano e Jackson Orozco, da 100% Noticias. A promotoria acusa-os de promover e incitar o ódio "por causa de discriminação política contra membros da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN)", relatou El Nuevo Diario.

De Miami, para onde fugiu, Galeano explicou em um programa de televisão que não foi preso porque não estava na emissora quando o canal foi invadido, mas apenas 24 horas depois foi acusado de “incitar o ódio”.

"Se você me perguntar por que me acusam, é por dizer a verdade. Simplesmente", disse Galeano no programa de Jaime Bayly. "Por que eu estou acusado, Jaime [Arellano], Jackson [Orozco], por que Miguel [Mora] está preso? Por que Lucia [Pineda] está presa e é por dizer a verdade, por dizer o que a população está sofrendo, que é um massacre por parte de um governo criminoso”.

Na entrevista, ele não deu detalhes de como ele conseguiu deixar a Nicarágua, e disse que continuou com seu programa online, feito a partir dos Estados Unidos.

Em 13 de dezembro, antes das prisões e do ataque à 100% Noticias, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da Organização dos Estados Americanos (OEA) outorgou medidas cautelares a Mora e à jornalista da 100% Noticias Leticia Gaitán Hernández, assim como a suas famílias. Ele disse que eles “estavam sujeitos a ameaças, perseguição e assédio no âmbito de seu trabalho e especialmente após os protestos de 18 de abril de 2018 na Nicarágua”.

Na época, Edison Lanza, Relator Especial para a Liberdade de Expressão da CIDH, disse ao Centro Knight: “Estamos entrando em uma fase na Nicarágua de perseguição seletiva contra as vozes mais independentes e a mídia mais independente que mantém o jornalismo vivo na Nicarágua. "

A invasão da 100% Noticias foi a segunda em uma semana. No dia 14 de dezembro, a Polícia Nacional iniciou a ocupação da redação do veículo Confidencial, do programa de reportagens Esta Semana e do programa de entrevistas Esta Noche.

Lanza desde então postou no Twitter que a CIDH concedeu medidas cautelares a vários jornalistas da Confidencial, incluindo o editor Carlos Fernando Chamorro.

Os protestos contra as propostas de reforma da previdência começaram na Nicarágua em abril de 2018, mas depois evoluíram para manifestações contra o governo do presidente Daniel Ortega. Segundo dados de uma comissão da OEA, 324 pessoas foram mortas no contexto dos protestos, enquanto o governo diz que há 198, incluindo 21 policiais, informou o Washington Post.




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