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Venezuela detém pelo menos dez jornalistas estrangeiros nas últimas duas semanas de janeiro



*Este post foi atualizado para incluir informações sobre a detenção de outros três jornalistas da agência Efe e seu motorista, assim como dois jornalistas franceses do canal TMC.

Desde que o presidente da Assembléia Nacional e líder da oposição, Juan Guaidó, proclamou-se presidente interino da Venezuela, o país vive em protesto e a investida do governo de Nicolás Maduro contra a imprensa nacional e internacional se intensificou, segundo vários organizações que defendem os direitos humanos.

Nesse contexto, nos últimos dias, pelo menos dez jornalistas estrangeiros foram detidos e dois deles deportados após cobrirem as manifestações  de partidários de Maduro e Guaidó.

Em 30 de janeiro, três jornalistas da agência de notícias espanhola EFE e seu motorista, de nacionalidade venezuelana, foram presos pelo Serviço Nacional de Inteligência Bolivariano (Sebin), segundo a EFE. O fotógrafo colombiano Leonardo Muñoz e o motorista José Salas foram presos na rua, e o jornalista colombiano Mauren Barriga Vargas e o jornalista espanhol Gonzalo Domínguez Loeda foram presos na redação da agência EFE em Caracas, informou o El País.

O governo da Espanha repudiou "energicamente" o ocorrido, informou a EFE, e exigiu que o governo venezuelano respeitasse o estado de direito e as liberdades fundamentais, de acordo com um perfil oficial publicado no Twitter. O presidente da EFE disse à imprensa que os jornalistas detidos foram devidamente credenciados desde que entraram no país. A embaixada da Espanha na capital venezuelana conseguiu administrar a libertação de trabalhadores da imprensa em 31 de janeiro, informou El País.

Também no dia 30 de janeiro, dois jornalistas franceses foram detidos enquanto registravam imagens do Palácio Miraflores, reportou a EFE. Eles foram liberados no dia seguinte e, de acordo com o perfil no Twitter do programa Quotidien, estavam voltando a Paris.

EFE acrescentou que o governo francês havia exigido a libertação dos profissionais.

O jornalista chileno Rodrigo Pérez e o cinegrafista Gonzalo Barahona, também do Chile, foram detidos na noite de 29 de janeiro nas proximidades do Palácio de Miraflores, em Caracas, enquanto cobriam uma manifestação, informou a CNN Chile.

O embaixador venezuelano no Chile, Arévalo Méndez, garantiu ao La Tercera que os profissionais da imprensa estão sendo deportados por abusar de sua condição de turistas para realizar coberturas jornalísticas sem estarem devidamente credenciados.

Segundo a rede internacional de notícias, os jornalistas foram transferidos para o aeroporto para serem deportados sem poder recolher seus pertences no hotel onde se hospedaram.

Poucos dias antes, o jornalista brasileiro Rodrigo Lopes, enviado especial a Caracas do Grupo RBS, do Brasil, foi retido por duas horas em 25 de janeiro em uma sede militar em frente ao Palácio de Miraflores, publicou a Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP).

Segundo a SIP, Lopes foi abordado por um homem à paisana enquanto fotografava partidários de Maduro. Depois de analisar as imagens do celular do jornalista, que tinha, segundo a SIP, fotos de uma manifestação anterior em favor de Guaidó, essa pessoa o acusou de ser um ativista da oposição perante as autoridades.

Segundo a organização, Lopes permaneceu incomunicável e sem seu passaporte durante a prisão e foi fotografado e ameaçado de prisão antes de retornar ao seu país.

María Elvira Domínguez, presidente da SIP, responsabilizou o governo "pela segurança dos jornalistas que tentam informar o público sobre a situação turbulenta pela qual a Venezuela está passando".

Em 13 de janeiro, a correspondente venezuelana do canal colombiano Noticias Caracol, Beatriz Adrián, e Osmary Hernández, da CNN, foram detidas nas proximidades da sede principal do Serviço Nacional de Inteligência Bolivariana (Sebin), quando denunciaram a prisão de Guaidó, segundo a organização Espacio Público.

A ONG relatou que as duas jornalistas foram espancadas no momento de sua prisão e, mais tarde, no Sebin, foram revistadas, registradas e fotografadas antes de sua liberação no mesmo dia.

A Associação de Imprensa Estrangeira (APEX, na sigla em espanhol) repudiou o ato de agressão contra as jornalistas, publicou o Efecto Cocuyo. "Os ataques injustificados contra essas jornalistas constituem outra violação notória dos direitos de expressão e informação; para o trabalho de correspondentes e jornalistas em geral e da imprensa na Venezuela", comunicou a associação.

A mídia e os jornalistas nacionais também foram afetados por prisões arbitrárias, confisco de equipamentos, cortes de sinal de internet, fechamento de instalações, etc.

A Espacio Público documentou 15 violações à liberdade de expressão em todo o país em 23 de janeiro. Houve bloqueios em redes sociais e mecanismos de busca como o Google pelo principal provedor de internet do país, o Cantv; vários jornalistas que cobriam as manifestações foram agredidos por policiais e tiveram seus telefones celulares e equipamentos de trabalho confiscados.

A organização também documentou naquele dia a retirada do ar do canal de Global TV, no estado de Zulia. Depois que a mídia transmitiu o juramento de Guaidó, oficiais do governo invadiram seus escritórios e levaram seu transmissor.

O Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) exigiu que as autoridades venezuelanas parem o bloqueio dos veículos de jornalismo e assegurem o acesso à internet no país neste contexto de crise política nacional.

Emmanuel Colombié, diretor da divisão latino-americana da organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF), alertou que a liberdade de imprensa está em perigo na Venezuela e que o governo de Maduro deve garantir a segurança dos jornalistas. "Neste período turbulento pelo qual o país está passando, mais do que nunca, a liberdade de informação é vital para todos os venezuelanos", acrescentou.




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