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Jornalista alemão detido na Venezuela desde novembro inicia nova greve de fome na prisão



*Esta nota foi atualizada às 19:21 de 06/02/2019 para incluir comentários da organização Espacio Público.

O jornalista alemão Billy Six, preso na Venezuela desde meados de novembro, iniciou no dia 3 de fevereiro uma nova greve de fome e “exige sua imediata liberação”, conforme informou a organização venezuelana Espacio Público.

Andrea Garrido, coordenadora da organização voltada à promoção e à defesa da liberdade da expressão e do direito à informação na Venezuela, disse ao Centro Knight que está em contato direto com os pais de Six e que eles informaram sobre a nova greve de fome do jornalista.

"Billy está confinado em uma cela individual, com acesso a um sanitário para seu uso; conta com as mínimas comodidades e se vê afetado pelas falhas de serviço de água que afetam a [prisão] Helicoide", disse Garrido sobre as condições do jornalista na prisão. Ele também estava em condições normais de saúde até o dia 3 de fevereiro, início da segunda greve de fome, afirmou.

Six está preso desde o dia 17 de novembro, segundo reportou a BBC News Mundo na ocasião. Ele foi detido por agentes da Direção Geral de Contrainteligência Militar em Santa Cruz de Los Taques, cidade litorânea a 500 km a oeste de Caracas.

O jornalista foi levado então para a prisão Helicoide, no centro da capital venezuelana, sede do Serviço Bolivariano de Inteligência (Sebin).

No dia 13 de dezembro, Six iniciou uma greve de fome para exigir que lhe fosse permitido comunicar-se com sua família, com a Embaixada da Alemanha em Caracas e com um advogado de sua confiança, afirmou a organização.

No dia 14 de dezembro, a Embaixada conseguiu falar com ele ao telefone pela primeira vez desde sua prisão, reportou a agência de notícias alemã DW.

Desde então, representantes da embaixada se comunicaram com ele pelo menos mais uma vez por telefone "e o viram uma vez em visita consular", disse Garrido.

Segundo uma nota da Espacio Público publicada no fim de dezembro, o jornalista seguiu sem se alimentar até o dia 22 de dezembro, quando teria suspendido seu protesto à espera de uma solução diplomática para sua libertação.

Carlos Correa, diretor da organização, disse a El País em dezembro que Six “entrou na Venezuela desde a cidade colombiana de Cúcuta, fez várias coberturas, entre elas uma manifestação com Maduro. Foi lá que ele fez fotografias desde um ponto muito próximo do mandatário e por isso o acusam de violar os perímetros de segurança”.

Ele é acusado de espionagem, violação de zonas de segurança e rebelião e seu processo será julgado em um tribunal militar, informou El País.

Caso seja condenado, Six pode ser sentenciado a até 28 anos de prisão, afirmou a organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF).

“As autoridades venezuelanas devem divulgar o quanto antes as provas contra o jornalista e colocá-lo em liberdade para que possa preparar sua defesa”, afirmou Emmanuel Colombié, diretor da RSF na América Latina, em dezembro. “Por outro lado, é inconcebível que o Estado venezuelano faça com que um tribunal militar julgue o jornalista. Isso constitui uma grave violação à legislação nacional e às obrigações internacionais do país. Um civil não tem por que comparecer diante de uma corte militar.”

"Estamos prestando assistência legal a Billy, representando-o ante instâncias internacionais com o consentimento de seus familiares, e atualmente em processo de juramentação para assisti-lo formalmente na Venezuela", disse a coordenadora da Espacio Público. "Para o momento e até que conseguimos nos juramentar, ele tem um defensor público designado que teve que representá-lo em sua audiência de apresentação."

De acordo com a DW, Six escreve para os veículos alemães de direita Junge Freiheit e Deutschland-Magazin e estava na Venezuela cobrindoa crise econômica, política e social por que passa o país.

O jornalista, que segundo El País se autointitula o “Indiana Jones do jornalismo” em seu canal do YouTube devido a suas coberturas em países em conflito, já esteve preso durante 12 semanas na Síria por ter entrado no país ilegalmente, disse a DW.

Six era um dos três jornalistas presos na Venezuela em dezembro de 2018, o que fez do país o líder na América Latina com mais profissionais da imprensa presos por fazer seu trabalho no fim do ano passado, segundo relatório anual do Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ).

Além dele, também estão presos os venezuelanos Jesús Medina Ezaine, detido na prisão militar Ramo Verde desde agosto de 2018, e Braulio Jatar, em prisão domiciliar desde maio de 2017.

A segunda greve de fome de Six acontece pouco depois das detenções de pelo menos 10 jornalistas estrangeiros na Venezuela ao longo das duas últimas semanas de janeiro.

O Centro Knight entrou em contato com a Embaixada da Alemanha na Venezuela, mas não teve resposta até o fechamento desta nota.




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