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Jornal venezuelano de 104 anos é a mais recente publicação a encerrar edição impressa por falta de papel




*Esta nota foi atualizada.

O jornal venezuelano Panorama, fundado em 1914 e sediado no estado de Zulia, no noroeste do país, publicou sua última edição impressa no dia 14 de maio.

Primeira página da última edição impressa do jornal venezuelano Panorama. (Reprodução)

É o 67º jornal a encerrar sua edição impressa, de maneira temporária ou permanente, entre 2013 e 2019 na Venezuela, segundo o IPYS (Sindicato dos Trabalhadores de Imprensa) do país. Zulia se une a outros três Estados venezuelanos que não têm mais uma publicação impressa, acrescentou a organização de liberdade de imprensa.

Em um editorial publicado em sua última edição impressa, Panorama disse que teve problemas em encontrar moeda estrangeira para comprar materiais de impressão importados e também sofreu com a crise econômica do país, aumentos salariais impostos pelo governo que eles não podiam pagar e queda na receita de publicidade.

Depois de cortar várias seções e produtos, o jornal disse que ficou sem papel.

"Os fornecedores internacionais cortaram a linha de crédito para a Venezuela anos atrás por causa do risco de não receberem pagamento", explicou o jornal. “O Complexo Editorial Alfredo Maneiro (Ceam), cuja missão é fornecer materiais de consumo para a mídia, não possui bobinas que se ajustem à nossa impressora (uma resposta que só recebemos há algumas semanas após sucessivas tentativas que começaram há mais de quatro anos)."

A Ceam é uma empresa estatal que foi acusada de reter o papel de jornal como um modo de censurar a mídia.

Panorama também comentou sobre as dificuldades cotidianas impostas a seus funcionários pela atual crise, incluindo cortes na eletricidade.

“Temos vivido uma longa e constante substituição de talentos humanos que saem em busca de melhores oportunidades de vida. E aqueles que ficaram fazem milagres para chegar ao trabalho, porque não há transporte público decente para fazê-lo ou eles não têm água em casa para sair para trabalhar”, diz o editorial. “Uma vez aqui, eles devem enfrentar a odisseia de correr atrás das notícias nas ruas desoladas de uma cidade deprimida e, por sua vez, com uma frota exausta de veículos que definham cada dia em intermináveis ​​filas para abastecer a gasolina, ou esperar por peças de reposição que nunca aparecem.”

Panorama, que disse ter publicado 35.548 edições ao longo de sua história, disse que agora vai se concentrar em seus produtos digitais e suas contas nas redes sociais, como muitos outros jornais no país.

Para o futuro, o jornal fez um "apelo ao entendimento nacional" e pediu a união dos venezuelanos. Também pediu eleições livres e confiáveis.

"Temos o dever de reconstruir esta nação do cataclisma para o qual a levamos com intolerância, dogmatismo e abuso de poder", escreveu o jornal. “Que a civilidade e essa vocação pacífica que exibimos antes de cada teste histórico nos guiem a sair deste pântano e a nos reunirmos como irmãos.”

O jornal Mi Diario, que foi fundado há 12 anos e é de propriedade do Panorama, também encerrou sua edição impressa por conta da falta de papel, conforme reportou a organização pela liberdade de expressão Espacio Público.

*Esta nota foi atualizada para incluir que Mi Diario, parte da empresa Panorama, também encerrou sua edição impressa.




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