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Blog JORNALISMO NAS AMERICAS

No Equador, jornalistas sofrem agressões durante cobertura de protestos contra aumento dos combustíveis



*Post atualizado às 14h de 9 de outubro de 2019 com o total de 51 agressões.

Cinquenta e um jornalistas sofreram algum tipo de agressão durante a cobertura da greve geral dos transportes e os protestos que atingem o país desde quinta-feira, 3 de outubro, contabiliza a Fundamedios. 

A organização registra 30 casos em que policiais avançaram de forma violenta contra jornalistas, fotógrafos e cinegrafistas de meios digitais, impressos e televisivos. Houve também 17 casos de agressão verbal e física a jornalistas por manifestantes e outros quatro casos de agressores desconhecidos. Além disso, seis meios de comunicação foram atacados, como, por exemplo, as rádios Pichincha Universal (Quito) e Centro (Ambato) sofreram cortes de energia, segundo Fundamedios. 

O presidente do Equador, Lenín Moreno, decretou estado de exceção após o país ser tomado por protestos contra o fim dos subsídios aos combustíveis, informa El Pais. Com isso, o preço do diesel subiu 120% e o da gasolina, 24%, relatou a Deutsche Welle.

A Fundamedios exigiu que o governo nacional garanta e proteja o trabalho da imprensa. “Não é possível que tantos profissionais de comunicação tenham sido agredidos pela Polícia Nacional de forma tão violenta enquanto cumpriam com o dever de informar à população”, disse a organização.

Entre os agredidos, está Julio Estrella, fotógrafo de El Comercio, “golpeado violentamente por 15 policiais e atingido com gás lacrimogênio”, segundo Fundamedios. Daniel Molineros, fotógrafo da agência API, foi agredido quando tentou defender o colega, como mostram as imagens publicadas no Twitter pelo meio comunitário Wambra.

Outro vídeo, este publicado no site do jornal El Universo, mostra quando um jornalista caído no chão é golpeado e chutado por pelo menos nove policiais, apesar dos apelos dos colegas de profissão.  

A União Nacional dos Jornalistas do Equador (UNP, na sigla em espanhol) divulgou uma nota para rechaçar “todo tipo de violência e agressões físicas ou verbais contra jornalistas e trabalhadores da imprensa, provenientes de elementos desajustados vinculados aos protestos de rua e do condenável abuso da força por elementos policiais”. A UNP ressaltou ainda que “o ataque desmesurado aos trabalhadores da imprensa (...) é um ato lesivo contra a liberdade de expressão, leva à autocensura e afeta os fundamentos da democracia”.

A organização também exortou o Cordicom (Conselho de Informação e Comunicação do Equador) a tomar medidas para garantir o trabalho dos jornalistas do país, segundo publicação da entidade no Facebook. Por sua vez, o conselho publicou um comunicado em que pede “respeito à integridade dos trabalhadores de comunicação que cobrem os acontecimentos atuais”, escreveu no Twitter.

A Anistia Internacional criticou o uso das Forças Armadas para reprimir protestos de rua no Equador. A diretora da organização para as Américas, Erika Guevara Rosas, disse que “o presidente Moreno deve garantir o respeito aos direitos humanos de manifestantes, jornalistas e líderes sociais. A decisão de usar as Forças Armadas para o controle de manifestações só eleva o risco de que se cometam violações de direitos humanos”, publicou o site da Anistia Internacional.

A Secretaria Geral de Comunicação da Presidência do Equador publicou um comunicado condenando os incidentes registrados contra jornalistas e meios de comunicação, informou El Comercio. “Reconhecemos a importância do exercício do jornalismo para manter a população informada de forma verídica e oportuna. Portanto, todo ato de violência deve ser criticado e denunciado às autoridades competentes”, lê-se na nota.

O estado de exceção do governo equatoriano tem prazo de 60 dias. Neste período, o presidente suspender ou limitar o exercício de direitos constitucionais, como a liberdade de informação, e instaurar a censura prévia aos meios de comunicação, explicou o G1. Até o momento, no entanto, o único ato tomado com base no estado de exceção foi o envio de militares para conter as manifestações populares.




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