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Velocidad anuncia dez start-ups jornalísticas na América Latina que receberão coletivamente US$ 1,5 milhão em investimentos



O anúncio das dez start-ups de jornalismo latino-americanas selecionadas para receber investimentos diretos de US$ 1,5 milhão do programa Velocidad gerou entusiamos entre os vencedores. Além dos recursos, os veículos terão 1.600 horas de consultoria para gerar novas fontes de receita, engajar a audiência, em última instância, desenvolver um negócio de mídia mais sustentável.

Do Paraguai, foi escolhido El Surtidor, um meio criado em 2016 para fazer jornalismo investigativo com forte apoio gráfico. Com uma equipe de 15 pessoas, entre jornalistas, designers e apoio administrativo, o veículo já conquistou vários prêmios internacionais, incluindo o prestigioso Prêmio Gabo de Inovação 2018 por Los Desterrados del Chaco.

Equipe de El Surtidor, do Paraguai (Divulgação)

“Para nós, que somos um meio digital nativo que surge em um cenário de alta concentração de mídia, [sermos selecionados] significa uma oportunidade de ter recursos humanos e técnicos para fortalecer a sustentabilidade, fortalecer nossa independência e fornecer inovação e com informações precisas e desafiadoras nas discussões que definem a vida de milhares de jovens no Paraguai,” disse ao Centro Knight Alejandro Valdez, director de El Surtidor.

Com cinco anos de operação, a Ponte Jornalismo, se tornou uma referência no Brasil na cobertura de direitos humanos e segurança pública, colecionando furos que contribuíram para corrigir injustiças cometidas pelo sistema judiciário. O site vem buscando consolidar sua operação de maneira mais sustentável para continuar fazendo jornalismo de impacto.

“O Velocidad chega num momento crucial para a Ponte: somos um site que luta pelos direitos humanos e pelo jornalismo numa época em que jornalistas e direitos humanos estão sendo intensamente atacados, e em que a democracia brasileira, que sempre valeu para uma minoria branca privilegiada, parece encolher ainda mais,” disse ao Centro Knight Fausto Salvatori, co-fundador e editor da Ponte. “Nossa expectativa, com o Velocidad, é ampliar e qualificar o diálogo da Ponte com o público, para que nosso conteúdo consiga fazer cada vez mais diferença na vida de mais pessoas.”

Equipe da Ponte Jornalismo reunida. (Divulgação)
 

A Argentina é o único país da região que teve dois meios selecionados. Um deles é o Red/Acción, fundado em abril de 2018, que aposta num programa de associação (membership) que dá aos participantes voz nas decisões editoriais.

“Em nossa busca por um jornalismo diferente que agregue valor, precisamos de ajuda. Acreditamos que, além dos recursos,  Velocidad nos dará suporte em consultoria, trazendo a experiência de outras mídias na região" disse ao Centro Knight Chani Guyot, fundador e diretor de Red/Acción.

Equipe da Red/acción. (Divulgação)

O outro argentino é da lista de selecionados por Velocidad é Posta FM, uma rede de podcasts que já lançou mais de 60 programas desde que foi lançada, em 2014.

“Consideramos isso como o primeiro passo para fazer muitas coisas que até recentemente eram apenas projetos. Ter esse suporte confirma que o áudio e os podcasts são elementos viáveis e vitais na transmissão de informações, histórias, ideias e conhecimentos,” afirmou ao Centro Knight Diego Dell’ Agostino, co-fundador de Posta FM. “Estar no mesmo grupo de vencedores com esses meios reconhecidos nos faz sentir (ainda mais) orgulhosos do que fazemos e nos deixa à vista a possibilidade de crescer como um meio na região pela força de pesquisas de conteúdo e qualidade e relevantes para a audiência.”

O site mexicano Lado B, de Puebla, nasceu há oito anos para contar histórias de pessoas que não costumam aparecer nos meios tradicionais enquanto mantém um olhar crítico para aqueles que detêm o poder. O site nasceu quando um grupo de jornalistas que entraram em greve para exigir melhores condições de trabalho foi demitido de um jornal de Puebla.

“Estamos muito empolgados, porque em oito anos tentamos várias formas de financiamento, algumas com mais sucesso do que outras, mas todas com o foco em fortalecer o poder do público, das pessoas que nos lêem. Na medida em que reconhecem seu poder, o jornalismo livre também se torna forte”, afirmou Mely Arellano, repórter e editora de Lado B, ao Centro Knight. “As sociedades latino-americanas estão em um momento importante, levantando suas vozes, promovendo mudanças, a mídia não pode ser deixada para trás, devemos atender às necessidades de nosso tempo.”

Equipe do site mexicano Lado B (Cortesia)
 

O meio mais veterano do grupo é CIPER (Centro de Investigación Periodistica), do Chile, que foi lançado em 2007. Os recursos do fundo serão usados para melhorar a gestão do modelo de sócios inscritos na comunidade +CIPER, que apoiam financeiramente as atividades do site, e para buscar novas formas de financiamento e receitas.

Time do chileno CIPER (Cortesia)

“O acesso a esse fundo demonstra a seriedade do nosso trabalho. [...] a ajuda de Velocidad será usada para desenvolver fórmulas inovadoras para atrair mais membros e avançar no objetivo de se nos tornar cada vez mais autossustentáveis, o que também garante nossa independência editorial e fortalece o vínculo com os leitores. Esperamos que este anúncio motive mais cidadãos a apostar no CIPER e se tornar nossos parceiros,” disse o diretor de CIPER Pedro Ramírez num comunicado postado no site.

Também está na lista de selecionados a revista Cerosetenta, da Colômbia, criada e mantida pelo Centro de Estudos de Jornalismo CEPER e a Faculdade de Artes e Humanidades da Universidade dos Andes, em Bogotá. A publicação é alimentada por mais de 300 estudantes de jornalismo e de outros cursos, como biologia, direito e medicina.

Revista Cerosetenta, da Colômbia

“Para Cerosetenta, receber o investimento e a consultoria é uma maneira definitiva de fortalecer um trabalho de anos em que procuramos construir pontes entre o rigor das pesquisas da academia e as formas narrativas de jornalismo. Acreditamos no jornalismo rigoroso, gratuito e colaborativo. Nosso projeto busca ajudar outras mídias a percorrer o caminho que percorremos,” disse Alejandro Gómez Dugand, director de la Revista Cerosetenta, de Colômbia, ao Centro Knight.

Do Peru, foi selecionado o site de jornalismo investigativo e dados Convoca, que desde 2014 investiga de maneira sistemática as redes de poder político e corporativo que a afeta a vida dos peruanos. A jornalista Milagros Salazar Herrera, diretora e fundadora de Convoca, disse ao Centro Knight que eles pretendem potencializar as investigações e apostar num modelo sustentável, com uso de dados da audiência e inovação: 

Time do site peruano Convoca. (Cortesia)

“Com o aprendizado acumulado de cada investigação, identificamos processos que podem ser automatizados, cruzamentos básicos que nos permitem identificar as primeiras descobertas no mar de dados que obtemos de nossas próprias instituições e fontes para gerar novos conhecimentos a partir de informações de interesse público. Por isso, vimos a necessidade de desenvolver nossas próprias ferramentas para otimizar esses processos.”

O Venezuelano El Pitazo conta com correspondentes nos 24 estados do país e que publica até cinco vídeos por dia no seu canal no YouTube sobre a realidade do país.  Em que pese a dificuldade enfrentada pelos jornalistas do país, o site foi reconhecido em 2019 com os prêmios Ortega y Gasset, por “A Geração da Fome” e Gabo, na categoria inovação.  

Reunião da equipe de El Pitazo, da Venezuela. Foto: Ronald E. Peña
“No entanto, ainda nos falta, diante das difíceis circunstâncias enfrentadas pela mídia na Venezuela, alcançar a sustentabilidade do projeto El Pitazo, por isso considero muito valioso ser reconhecido pela Sembramedia como um dos dez finalistas de Velocidad e desta forma trilhar o caminho para a solidez deste empreendimento,” disse ao Centro Knight César Batiz, diretor do site.

 

Além desses, também foi selecionado El Toque, de Cuba, uma plataforma multimídia dedicada a cobrir a diversidade do país.

“Esses recursos vêm em um momento crucial: os jornalistas latino-americanos enfrentam desafios esmagadores hoje, incluindo distúrbios econômicos e cívicos, colapso de modelos de negócios, censura persistente e ataques à imprensa. Atualmente, essa continua sendo uma das regiões mais perigosas do mundo para se praticar jornalismo”, diz o comunicado oficial de Velocidad publicado pelo Centro Internacional para Jornalistas (ICFJ), que desenvolve o projeto junto com SembraMedia e apoio de Luminate.




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