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Procuradoria declara assassinato de jornalista colombiana em 1990 como crime contra humanidade



A Procuradoria 40 da Direção Especializada Contra as Violações dos Direitos Humanos, da Colômbia, declarou nesta segunda-feira (24/02) como crime contra a humanidade o assassinato da jornalista Silvia Duzán e de três integrantes da Asociación de Trabajadores Campesinos del Carare (ATCC - Associação de Trabalhadores Camponeses do Carare), segundo a Fundação para a Liberdade de Imprensa (FLIP). 

O massacre, que completa 30 anos, ocorreu em 26 de fevereiro de 1990, no município de Cimitarra, no departamento de Santander, na Colômbia.  

Duzán foi assassinada enquanto realizava um documentário sobre a resistência pacífica do ATCC para o canal de TV inglês Channel 4.  

A Procuradoria, ainda de acordo com a nota da FLIP, reconheceu que o massacre se deu em um contexto de ataque generalizado e sistemático por parte de membros de grupos paramilitares contra a população civil. 

"A FLIP reconhece a importância da declaração como crime contra humanidade por ser um avanço na luta contra a impunidade no caso, já que esta declaração tem o principal efeito de tornar os fatos imprescritíveis [quando não há limite de tempo para que o caso seja julgado]", disse a entidade, em nota. No entanto, a FLIP afirma que a decisão é tardia, porque só foi tomada dois dias antes do crime completar 30 anos, e que ainda não há avanços significativos na investigação e punição dos responsáveis.

"A FLIP faz um chamado para que a Procuradoria leve adiante uma investigação séria, imparcial e dentro de um tempo razoável que consiga superar o cenário de impunidade que por trinta anos prevaleceu sobre esse crime", concluiu a nota. 

A Procuradoria também reconheceu que o homicídio teve um grave impacto no exercício da liberdade de expressão no país. De acordo com o jornal El Espectador, a instituição afirmou que o crime teve um triplo impacto negativo: viola o direito das vítimas se manifestarem, "gera um efeito de silêncio e medo nos colegas da vítima e, por último, viola os direitos coletivos de buscar e receber informação". 

Silvia Duzán era irmã de María Jimena Duzán, atual jornalista do veículo Revista Semana. María Jimena escreveu um livro, fruto da sua investigação jornalística sobre a morte da irmã, chamado "Mi viaje al infierno" (Minha viagem ao inferno).

Em uma entrevista ao Revista Semana, em 2015, María Jimena contou que os assassinatos foram cometidos em um bar movimentado, e todo o povoado foi testemunha dos crimes.  "(...) O massacre foi feito diante do batalhão, em um bar La Tata, que estava cheio de gente em uma sexta-feira de festa. Todo mundo soube quem disparou e quem foram os que protegeram os assassinos na sua fuga".

Revista Semana preparou um material especial sobre os 30 anos do massacre, com trechos do livro de María Jimena e um vídeo, em que ela conta detalhes do assassinato. No vídeo, a jornalista diz que ainda busca respostas para o crime. "Eu quero uma resposta sim. Eu quero, sim, que me digam por que mataram os camponeses e a minha irmã", afirma. 

O pai de Silvia e María Jimena, Lucio Duzán, era colunista do El Espectador. Segundo lembra María Jimena, em um especial dos 25 anos da morte de Silvia, publicado pelo El Espectador, as duas iam todo sábado com o pai ao jornal em Bogotá. Enquanto ele entregava seus textos, elas olhavam admiradas para as rotativas. 

María Jimena, que foi vítima de processos judiciais e ameaças de morte recentes por seu trabalho jornalístico, disse no Twitter neste mês que sente cada vez mais a falta da irmã




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