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Novo podcast da Radio Ambulante, El Hilo, quer explicar notícias com formato narrativo e foco na América Latina



A Radio Ambulante, que mantém há oito anos um premiado e reconhecido podcast sobre histórias latino-americanas, além de investir em clubes de escuta e um aplicativo de ensino de espanhol, vai lançar, em algumas semanas, um produto com um enfoque mais noticioso. O novo podcast, El Hilo, vai explicar e aprofundar, em formato narrativo, as principais manchetes sobre a América Latina ou sobre temas globais com uma perspectiva latinoamericana. 

O podcast será apresentado pela produtora-executiva do El Hilo, Silvia Viñas, e o editor de projetos especiais do jornal espanhol El País, Eliezer Budasoff. Viñas nasceu no Uruguai e viveu em cinco países latino-americanos, e Budasoff é argentino. O podcast, em espanhol, vai ao ar toda sextas-feira de manhã, segundo o horário de Nova York, nos EUA (Eastern Standard Time)."A ideia é que seja a primeira coisa que você escuta na sexta-feira, para terminar a semana", contou Viñas, ao Centro Knight.

O podcast vai usar as técnicas narrativas e a estética da Radio Ambulante, que em 2019 atingiu 5,5 milhões de downloads, para ir além das manchetes e ajudar o ouvinte a compreender as notícias da América Latina, "esta região tão complexa, tão grande e onde tantas coisas acontecem", afirma Viñas.    

O novo podcast El Hilo será lançado em algumas semanas

"Fazia falta algo assim, um podcast que explique, que dê contexto e análise, mas, ao mesmo tempo, faça tudo isso de uma forma narrativa. Isso significa ter áudio de arquivo, clips de notícias, entrevistas, não só com jornalistas que te contem o que está acontecendo, mas também com pessoas que são protagonistas dessas notícias", disse ela.   

Para Budasoff, o El Hilo já nasce com a experiência acumulada dos jornalistas da Radio Ambulante, que são, nas suas palavras, "os melhores storytellers em áudio em espanhol". Até hoje, a Radio Ambulante já contou 130 histórias produzidas em mais de 20 países. 

Segundo o jornalista, há uma demanda do público de entender temas da região. "Na realidade há muita informação dando voltas nas redes sociais e nos meios de comunicação, mas é complicado chegar a uma certa profundidade. Há meios internacionais que cobrem essas histórias muito bem, como fazia o The New York Times em Espanhol e o El País agora. Mas não havia nada assim no mercado de áudio", disse Budasoff ao Centro Knight. Ele afirma que é possível encontrar produtos parecidos dentro de cada país da região, mas não voltados para toda a América Latina.

"Nós, jornalistas, nos confundimos pensando que todo mundo acompanha as notícias assim como nós, que somos meio viciados em informação, mas não acontece assim. E às vezes você tem o desejo de escolher um produto que te permita, em poucos minutos e de forma dinâmica e humana, entender o que está acontecendo", explica. 

Segundo Budasoff, a maioria dos episódios vai trazer jornalistas e especialistas para debater um grande assunto da semana na região. Viñas dá o exemplo de um episódio piloto que fala sobre o aborto no Equador. No programa, uma repórter da Radio Ambulante conta uma história sobre uma menina que foi praticamente obrigada a ter um filho. Por meio desse caso, afirma Viñas, o ouvinte entende a situação do aborto no país. 

"Outros episódios talvez sejam mais explicativos, depende do tema, mas vamos sempre buscar um arco narrativo, com personagens. Inclusive se for um jornalista nos contando algo, se ele está em quarentena, por exemplo. Queremos saber a história desse jornalista cobrindo o coronavírus, como é para essa pessoa. E que eles nos contem as histórias das pessoas que conhecem, porque isso é muito mais poderoso do que simplesmente dar dados", diz Viñas.  

Segundo ela, o podcast será focado em América Latina, mas também vai abordar temas globais, como poderia ser o caso do coronavírus. "Ou a crise climática, por exemplo, queremos fazer um episódio ou vários sobre o tema e sobre como isso está sendo vivido na América Latina. E nos interessa muitíssimo cobrir os EUA, sabemos que os ouvintes latino-americanos podem ter interesse em saber como funciona isso do Super Tuesday."

A produtora-executiva do El Hilo Silvia Viñas. Foto: Divulgação

Junto com o podcast, o El Hilo vai lançar uma newsletter semanal que, além do link com o episódio, vai apresentar informações extras sobre a história e links recomendados. Também vai incluir um resumo das notícias sobre América Latina e o mundo, bem como dicas de filmes e livros. Interessados já podem se inscrever neste link

Com essa proposta, os criadores pensaram no nome El Hilo, que veio da popularidade dos fios no Twitter. "Isso de abrir um fio, explicar e dar contexto, tomar uma notícia e dar a ela uma nova perspectiva, uma história que te faz pensar 'uau', nós gostamos muito dessa ideia", diz Viñas.  

Uma grande diferença do novo produto, em comparação com o podcast Radio Ambulante, é o tempo de produção. O objetivo é fazer sobre temas quentes, que tenham ocorrido na própria semana do podcast, na anterior ou estejam previstos para a semana seguinte. Viña diz que alguns episódios podem ser sobre temas menos urgentes, que não estejam recebendo a atenção devida por outros meios.

"Mas a maioria dos episódios vai ser noticiosa e produzida em menos uma semana, o que é muito rápido. Não é como Radio Ambulante, que pode preparar muitos episódios antes de lançar a temporada. Nós não podemos preparar tantos, vamos estar reagindo ao que vai acontecer semana a semana".

Para descobrir se o projeto era viável, a equipe tem feito pilotos desde julho de 2019. E somente alguns vão poder ser aproveitados, já que muitos foram sobre notícias velhas. 

"Estamos há muito tempo trabalhando nisso antes de lançar, para testar o fluxo de trabalho, ajustar e para nos fazer entrar nessa máquina de produzir um episódio de 20 a 30 minutos, com entrevistas, arquivo, música original, narração, em poucos dias. Isso é o que estivemos praticando", explica ela. 

O ritmo e formato já havia sido testado antes, com sucesso, em alguns episódios da Radio Ambulante. A primeira vez foi com o terremoto no México em 2017 e, depois, com os apagões na Venezuela em 2019

"Naquele momento, como equipe, dissemos: 'escuta, o que aconteceria se a gente tentasse fazer algo em dois ou três dias?' E foi um trabalho de equipe incrível, em que todos fizemos alguma coisa. E conseguimos. Então ficamos com a ideia de que poderíamos fazer isso mais vezes. É uma loucura e é muito trabalho, mas nós gostamos", conta. 

A equipe responsável pelo El Hilo é de seis pessoas, espalhadas pelo mundo, muitos dos quais trabalham para a Radio Ambulante. Viñas mora em Londres, e Budasoff vive na Cidade do México, de onde também se dedica ao El País. Carolina Guerrero e Daniel Alarcón formam a equipe executiva e trabalham dos EUA. Especificamente para o El Hilo, foram contratados um produtor, Álvaro Céspedes, que fica na Cidade do México, e um designer de som, Elías González, que mora em Berlim. Eles contam ainda com a jornalista Andrea López-Cruzado, que mora nos EUA. 

O apresentador do El Hilo Eliezer Budasoff. Foto: Divulgação

Viñas afirma que ter a equipe separada em diferentes países e fusos horários ajuda muito o fluxo de trabalho. "A Radio Ambulante também é assim, temos trabalhado assim todos esses anos e tem funcionado. Na verdade é uma grande vantagem. Eu trabalho de manhã e, quando eles acordam, eu já editei um roteiro", conta. 

A jornalista diz que, com uma equipe pequena, todos fazem de tudo: edição, reportagem, produção. "Mas é bom porque todos aprendemos e nos ajudamos. Esperamos crescer rápido porque, sim, precisamos de mais braços". 

Para cobrir a América Latina, Viñas e Budasoff vão aproveitar uma rede de repórteres, construída durante anos de atuação como editores. "Temos uma rede de jornalistas que já conhecemos, pela Radio Ambulante, ou pelo trabalho para o The New York Times em espanhol, agora para o El País, antes para Etiqueta Negra".

Da mesma forma, Budasoff foi diretor editorial do The New York Times em Espanhol, antes de trabalhar como editor para o El País América. Ele conta que sentia vontade de aproveitar as conversas que tinha com repórteres e colaboradores da região, que faziam parte da sua rotina. "Porque esse é o trabalho de um editor, ir falando [com os repórteres] até encontrar as histórias adequadas. Fazer isso em formato entrevista e poder compartilhar grande parte dos bastidores das histórias, isso era algo que a gente gostaria de escutar [como ouvintes]", disse. 

Budasoff conta ainda outro motivo para entrar no mundo dos podcasts. Ele queria "sair um pouco detrás do texto". "Em termos pessoais, trabalho faz tempo como editor, que é uma atividade que eu gosto muito, mas que nem sempre deixa muito espaço para fazer jornalismo por si próprio. E estava com muita vontade de voltar a fazer um pouco mais de jornalismo em primeira pessoa".




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