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Caso Trayvon Martin acende debate sobre raça e mídia nos Estados Unidos




Para além da indignação pública e das acusações de racismo, o fuzilamento do adolescente negro de 17 anos Trayvon Martin, na Flórida, também acendeu o debate sobre como a mídia deve cobrir uma história tão sensível, e onde os jornalistas devem traçar o limite em termos do exercício de sua direitos como cidadãos versus o cerceamento de suas opiniões enquanto repórteres.

Em um caso que tem atraído a atenção nacional, em 26 de fevereiro, Martin, um estudante negro do ensino médio da Flórida, foi morto a tiros por George Zimmerman, um vigia voluntário do bairro que ainda não foi acusado pelo crime.

Alan Jenkins do Kansas City Star observou que os meios de comunicação desempenham "um papel na criação da mentalidade que leva a tragédias como esta", já que as distorções da mídia sobre os negros reforçam os estereótipos negativos, com o potencial de "aumentar a probabilidade de um homem afro-americano ser atingido sem justificativa".

Talvez sem querer reforçar estereótipos, a maioria dos meios de comunicação de notícias publicaram uma foto antiga do jovem Martin sorridente, o que provocou um debate sobre o porquê de fotos recentes do adolescente - que tinha uma tatuagem e dentes de ouro - não terem sido utilizadas, de acordo com The Cutline . A foto mais recente foi obtida por meio da conta de Martin no Twitter, juntamente com os tweets do mês anterior à tragédia, sem a permissão da família, levantando questões sobre a ética por trás do acesso não autorizado a contas de redes sociais, explicou The Examiner.

Uma charge publicada no jornal de faculdade The Daily Texan também gerou polêmica e acusações de racismo por usar um termo ofensivo para se referir a afro-americanos e por sugerir que a mídia tinha transformado o homicídio em algo mais alarmante do que ele realmente era, de acordo com a rádio KUT News e o New York Daily News. O conselho editorial do jornal pediu desculpas, acrescentando que todos os seus funcionários deverão participar de um seminário sobre raça e meios de comunicação, informou o San Antonio Express-News.

Enquanto isso, a ESPN voltou atrás em sua decisão original de proibir jornalistas de postar fotos de si mesmos em moletons - Martin estava usando um quando foi assassinado - para mostrar solidariedade com o adolescente. A rede decidiu "permitir esta expressão particular de solidariedade humana". Escrevendo para o blog do projeto Poynter, no entanto, Kelly McBride criticou os jornalistas esportivos que mudaram suas fotografias nas redes sociais, afirmando que se eles querem fazer a diferença, devem "explicar a história, não fazer parte dela".

Como Poynter questionou, qual é a diferença entre os repórteres da ESPN autorizados a usar moletons em solidariedade a Martin e os repórteres da Gannett que foram punidos por assinar uma petição pelo 'impeachment' do governador de Wisconsin, Scott Walker? "Ambos os casos levantam a questão: Quais direitos os jornalistas deveriam ser livres para exercer?"



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