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Cobertura de tiroteio no Arizona é marcada por especulações




O ataque a tiros que deixou entre a vida e a morte a deputada democrata do Arizona Gabrielle Giffords, atingindo outras 19 pessoas no dia 8 de janeiro, em Tucson, no Arizona, motivou uma discussão sobre o papel dos veículos de comunicação no debate político agressivo e sobre como a imprensa se baseou mais em especulações que em fatos na cobertura do caso.

Jared Loughner, de 22 anos, é acusado de matar seis pessoas e tentar assassinar a deputada Gabrielle Giffords durante um encontro com eleitores em um centro comercial. Outras 13 pessoas ficaram feridas no ataque.

"A especulação frequentemente superou a informação", escreveu James Rainey, do Los Angeles Times. "A especulação atingiu seu ponto máximo na segunda-feira, nas rádios, nos canais de TV a cabo e na internet. Os conservadores argumentaram que a política não teve absolutamente nenhum peso na decisão de um jovem atirador perturbado. Os liberais garantiram que o ácido discurso contra o governo na imprensa influenciou o ataque".

Como escreveu Josh Kraushaar no National Journal, "Apesar de toda a culpa atribuída aos políticos por sua agressiva retórica política, os veículos de imprensa são tão responsáveis quanto eles por promover o conflito e um discurso político raivoso. Não me refiro somente aos Glenn Becks e Keith Olbermanns do mundo, mas à cobertura que coloca o conflito acima da informação e incentiva argumentos polêmicos em vez de um debate reflexivo. Com o tiroteio em Tucson, as piores tendências da imprensa vieram à tona: desde o início da crise, quando vários veículos informaram, de maneira equivocada, que Giffords havia morrido, até a suposição imediata e injustificada de que o assassino estaria ligado ao Tea Party".

Depois de noticiar a morte de Giffords, a emissora pública de rádio NPR divulgou uma nota em que condenou a especulação sobre as motivações do agressor: "A internet e o Twitter ficaram cheios de especulações sobre os motivos do ataque contra a deputada. Que ela era liberal demais e havia sido baleada pelo conservador movimento Tea Party. Ou que ela era moderada demais e havia sido atacada por alguém da esquerda. Só sabemos que o atirador está preso. Nenhuma declaração foi dada e nenhuma motivação, revelada. Os que se proclamam 'jornalistas' devem guardam suas opiniões até que se saiba mais".

O ataque levou a Media Matters a enviar uma carta ao CEO da News Corp., Rupert Murdoch, na qual sustenta que já é hora de a Fox News assumir responsabilidades por seu discurso mordaz. "Agora, depois dos assassinatos, sua emissora deve tomar uma posição", dizia a carta. "Você tem o poder de ordenar que eles (seus funcionários) deixem de utilizar uma retórica violenta, tanto na TV como fora do ar. Caso eles não o façam, cabe a você despedi-los ou assumir a responsabilidade pelo clima que criam e suas consequências".

Apesar da reação imediata ter sido a de que o ataque estava vinculado ao discurso político, ficou evidente que o tiroteio não teve motivação política, mas foi um ato de uma pessoa com problemas mentais.


Other Related Headlines:
» New York Times (em inglês) (Apresentadores de rádio negam responsabilidade em tiroteio)
» MediaBistro (em inglês) (Editor da NPR chama de "erro grave e sério" anúncio da morte da deputada Gabrielle Giffords)
» The Washington Post (em inglês) (Após tragédia envolvendo a deputada Giffords, dedos apontados para o modelo de confronto da mídia)

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