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Especial: Mapa digital que registra denúncias de crimes e corrupção dá novo impulso ao jornalismo cidadão no Panamá




Por Jorge Luis Sierra, membro da Jornalismo Internacional Knight e do Centro Internacional para Jornalistas

Os jornalistas do Panamá estão desenvolvendo a plataforma Meu Panamá Transparente, uma ferramenta digital que pode ser utilizada como um modelo em reportagens sobre crime e corrupção na América Latina. A ferramenta é um mapa digital online, alimentada com informações dos próprios cidadãos que apontam incidentes no mapa geográfico do Panamá.

Meu Panamá Transparente é um projeto de colaboração entre repórteres cidadãos e jornalistas profissionais para investigar crimes e casos de corrupção no Panamá. O projeto utiliza a plataforma Ushahidi, desenvolvida na África para registrar atos de violência política em um mapa do Google. A mesma plataforma é utilizada na Faixa de Gaza, no México para observação das eleições, em Atlanta para construir um mapa de crimes, no Haití e no Chile para registrar a devastação dos terremotos.

Esta plataforma permite que os cidadãos façam relatórios diretamente no site, localizando geograficamente as informações, acrescentando data e hora aos eventos e incluindo links para fazer upload de fotos e vídeos. No caso do Panamá, existe a possibilidade dos cidadão enviarem as informações através de mensagens de texto pelo número 5638.

O projeto tem alcance nacional e vem recebendo informações de praticamente todas as províncias do Panamá. As pessoas reportam casos de nepotismo, desvio de verba pública, corrupção na prestação dos serviços, utilização de carros oficiais para fins pessoais, empresas fraudulentas, esquemas para fraudar os consumidores, pontos de venda de drogas, pistas de voo clandestinas e localização de células narcotraficantes.

É interessante notar que os cidadãos estão reportando temas sensíveis. Eles, no entanto, não postam diretamente as informações no site. Um moderador filtra a informação que poderia colocar em risco a seguridade do cidadão ou omite aqueles que podem agir de má-fé, serem caluniosos ou difamantes. De qualquer forma, são os cidadãos os responsáveis pela veracidade da informação que enviam.

De outubro até o início de fevereiro, a plataforma reuniu 287 relatórios, 100 deles enviados por mensagens de texto. Os casos de corrupção representam 52% do total das informações. Os demais casos referem-se a homicídios, assalto à mão armada e furto. Nos últimos seis meses o site teve 2.610 visitantes únicos, com 9.530 páginas visitadas.

Terminando a etapa de formação de jornalistas começa a de investigação e produção de matérias relacionadas com os relatórios cidadãos.

O projeto procura também integrar organizações da sociedade civil. O Fórum de Jornalistas pela Libedade de Expressão e Informação e a Transparência Internacional são os principais sócios do projeto, junto com a Grande Aliança Nacional pela Segurança e Cidadania. Os grupos Ushahidi e eMoksha apóiam a parte técnica. Os desafios mais importantes do projeto foram o de fazer com que os jornalistas compreendessem o valor das informações provenientes dos repórteres cidadãos e mantê-los juntos num momento em que os meios de comunicação travam uma dura concorrência no mercado.

A principal idéia do projeto é de que os repórteres cidadãos sejam entrevistados pelos jornalistas e que, em seguida, estes publiquem e transmitam as histórias com essas informações. O objetivo é melhorar a qualidade do jornalismo investigativo no Panamá e abrir novas rotas de colaboração entre jornalistas e cidadãos.

A sociedade civil também tem um papel importante a cumprir. Os repórteres cidadãos serão atendidos por advogados voluntários, que trabalham na divisão panamenha da Transparência Internacional. Eles proporcionarão assessoria de assuntos anticurrupção aos cidadãos e jornalistas. Existe também um contato com a Polícia Nacional para entregar denúncias relacionadas aos incidentes reportados e entregar petições da população para providenciar vigilância policial.

Jorge Luis Sierra é jornalista mexicano, especialista em temas de Segurança, que lidera um projeto de jornalismo investigativo sobre crime e corrupção no Panamá. Sierra cobriu a guerra do Iraque, em 2003; trabalhou como editor e repórter para o jornal hispânico La Voz de Houston e Rumbo, no Texas, e Qué Pasa, na Carolina do Norte. También colaborou com jornais e revistas influentes no México, como o El Universal, Proceso, Reforma e Expansión.


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