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Jornalistas precisam ir além das fontes oficiais na cobertura sobre imigração, diz palestrante no Fórum de Austin




"Não dá para imaginar El Salvador sem imigrantes," disse José Luis Benítez, principal palestrante do 9º Fórum de Austin sobre Jornalismo nas Américas. Apesar do papel fundamental dos imigrantes na sociedade e na economia de países da América Central e do México, a cobertura jornalística sobre essa população frequentemente se limita ao sensacionalismo dos crimes e tragédias ou a histórias de heroísmo.

Cerca de 50 jornalistas e especialistas de 20 países da América Latina e do Caribe estão reunidos em Austin, no Texas, Estados Unidos, para o Fórum de Austin. Em 2011, o evento anual tem como tema a "Cobertura Jornalística da Migração nas Américas."

"A imigração é definida pelo discurso oficial, que a trata como uma questão de segurança", disse o professor da José Simeón Cañas Central American University, em El Salvador. A dificuldade de acesso às informações públicas sobre imigração na América Latina leva muitos jornalistas a depender do discurso oficial. A habilidade do governo de delimitar a discussão é clara: as matérias sobre imigração estão tomadas de termos como "insegurança", "vítimas" e "violações dos direitos humanos", disse Benítez, citando diversas pesquisas feitas com jornais de países da América Central e do México nos últimos anos.

Benitez ressaltou que, apesar do grande número de imigrantes nesses países, raramente os jornalistas os entrevistam sobre suas experiências. "A voz do imigrante é fundamental," afirmou, "não é a mesma coisa do que falar com um especialista". Summer Harlow, doutoranda que faz parte da equipe do Knight Center, apresentou um trabalho segundo o qual menos de 10% das matérias sobre imigração dos jornais mexicanos e da América Central pesquisados trazia declarações de imigrantes.

Mas nem todas as histórias sobre imigrantes são negativas, salientou Benítez. Quando a cobertura não é dominada por preocupações com segurança, os imigrantes são apresentados como heróis nacionais. "Quando aparecem, os imigrantes são retratados como pessoas de sucesso, que saíram do nada e agora são donos de um conhecido restaurante em Washington", disse. "Eles são apresentados como o orgulho da nação. Mas essa não é a história da maioria. Isso afeta a concepção deles do Sonho Americano".

A mídia desempenha um papel importante não apenas na concepção do Sonho Americano, como na do imigrante em si. De acordo com Benítez, a mídia muitas vezes é o único contato que muitos nativos têm com os imigrantes. A cobertura pode ecoar estereótipos, afetando a percepção que o público tem dos imigrantes. Como resultado, a mídia pode se tornar a "mais influente fonte de racismo e preconceito" contra eles, acrescentou.

Embora a atenção da mídia para a imigração tenha aumentado nos últimos anos, Benítez sublinhou que o fenômeno da migração tem moldado países latino-americanos como El Salvador há gerações. "Não podemos perder a perspectiva histórica", disse. "A imigração não é algo novo, só a intensidade da cobertura sobre ela".

O Fórum de Austin, organizado pelo Centro Knight para o Jornalismo nas Américas e pelos programas para a América Latina e de Mídia das Fundações Open Society, continua na sexta e no sábado, com mais discussões sobre a cobertura da migração. O programa completo do evento está disponível aqui.




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