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México e Honduras caem à categoria de países “não livres” em novo relatório mundial sobre a liberdade de imprensa




México e Honduras se uniram ao ranking de países onde a imprensa não é considerada livre ou independente, de acordo com um estudo da Freedom House lançado hoje, 2 de maio, informou o Christian Science Monitor. O relatório Liberdade de Imprensa 2011: um levantamento global da independência da mídia descobriu que a liberdade de imprensa mundial caiu a seus níveis mais baixos em mais de uma década, com a América Latina experimentando os mais graves retrocessos. O relatório foi lançado como parte das comemorações pelo Dia Mundial da Liberdade de Imprensa.

Um segundo estudo, Análise da Liberdade de Imprensa Mundial em 2010, do Instituto Internacional de Imprensa, com foco nas Américas, também foi lançado segunda-feira, e assinalou que México e Honduras representam quase um quarto de todos os jornalistas mortos em 2010. Dos 102 jornalistas que morreram em 2010, 32 eram latino-americanos.

"Um país onde os jornalistas não podem trabalhar livremente, sem medo de interferência do governo ou de outros atores, tem pouca esperança de alcançar ou manter uma verdadeira democracia", disse David J. Kramer, diretor-executivo da Freedom House, em um comunicado. "Ainda que, infelizmente, estejamos acostumados a ambientes restritivos e perigosos para a imprensa em regimes não-democráticos, como os do Oriente Médio e da antiga União Soviética, este ano estamos particularmente preocupados pelas perdas nas jovens ou frágeis democracias como México, Hungria e Tailândia".

Da mesma forma, o editor do Informe Mundial da Liberdade de Imprensa, Anthony Mills, destacou em um comunicado que, enquanto "a consciência popular está a par das mortes de correspondentes de guerra em zonas de conflito que estão na mira internacional, como Iraque, Afeganistão, Paquistão e, mais recentemente, Líbia, no México há outra frente de batalha não menos mortal. É uma frente cheia de corpos de jornalistas cujas assinaturas sequer aparecem nas páginas dos jornais mais importantes do mundo e que não fazem reportagens para as televisões mais proeminentes, mas que não são menos heróicos, menos comprometidos com a causa da busca e transmissão de notícias à serviço do interesse público em um país que enfrenta um conflito muito real, extremamente violento e muitas vezes mortal".

Embora a Colômbia tenha sido o único destaque positivo na região, experimentando uma discreta melhora em sua pontuação de liberdade de imprensa, em geral o continente apresentou retrocessos, com pioras na pontuação de Argentina, Bolívia e Equador. No total, quatro países (México, Honduras, Cuba e Venezuela), representando 17% da população da região, foram marcados como "não livres"; 14 países (42% da população) foram classificados como "parcialmente livres" e 17 países (41% da população da região) foram classificados como "livres". Os "ambientes de comunicação livres de muitos países do Caribe tenderam a "compensar a imagem menos otimista na América Central e do Sul", informou o relatório.

O paper culpou a “crescente guerra contra as drogas” no México pelo declínio do país para a classificação "não livre". Segundo o texto, "violência e intimidação de grupos criminosos têm aumentado continuamente em um clima de impunidade, levando ao aumento da auto-censura na profissão como um todo, bem como os assassinatos de mais de 60 jornalistas nos últimos 10 anos. Em 2010, a natureza do controle de gangues da droga sobre a agenda de notícias passou da censura às tentativas orquestradas de colocar propaganda ou releases de imprensa em estabelecimentos de mídia selecionados. Isto foi normalmente conseguido através de uma combinação de ameaça e suborno".

Este relatório da Freedom House espelha estudos anteriores, tais como os da organização Repórteres Sem Fronteiras ou do Centro de Jornalismo e Ética Pública, que constataram que aviolência contra a imprensa mexicana, nas mãos de traficantes de droga e forças do governo, cresceu em 2010, o que resultou em níveis maiores de auto-censura. Da mesma forma, um recente relatório semestral da Sociedade Interamericana de Imprensa considerou que a situação da liberdade de expressão tem se deteriorado em toda a América, especialmente no México.

Quanto à avaliação de Honduras como um país "não livre", o relatório da Freedom House concluiu que, embora o ambiente político tenha registrado uma certa estabilidade desde o golpe de 2009 que derrubou Manuel Zelaya da presidência, “a capacidade de jornalistas de trabalhar com segurança foi severamente comprometida no início de 2010” por um aumento acentuado de assédio e ataques, incluindo a morte de seis jornalistas somente em março. A agressão e a intimidação vieram de ambos os lados do espectro político, e o aumento da violência tem sido “acompanhada de um clima de impunidade em que as mortes de jornalistas não são investigadas em profundidade, ou em tempo oportuno”.

A pontuação do Equador caiu significativamente (ele é classificado como "parcialmente livre"), de acordo com o relatório, em razão da "retórica negativa e de medidas contra meios de comunicação" da administração do presidente Rafael Correa, combinado com o boicote de publicidade do governo, o aumento de processos judiciais por difamação contra jornalistas e os atos contra emissoras, como as que foram desligadas ou invadidas.

Igualmente, a Bolívia, também considerada"parcialmente livre", viu a sua pontuação diminuir graças às novas leis que permitem ao governo multar e prender jornalistas, o que levou a um aumento da auto-censura, segundo o relatório.

Atentados, assédio, e aumento das tensões entre o governo e a mídia de oposição, como o jornal Clarín, levaram a uma diminuição da pontuação também na Argentina.

A Colômbia foi o único país latino-americano que experimentou um pequeno aumento em sua pontuação, principalmente por causa de acusações pendentes em vários casos de ataques contra jornalistas, demonstrando progressos na luta contra a impunidade, segundo o relatório.

Os Estados Unidos têm uma das melhores pontuações(classificado como nº 17 mundial) em parte por causa de uma lei de 2010 para proteger os jornalistas de serem processados em países estrangeiros. O relatório observou também que "a divulgação massiva de documentos confidenciais pela organização antisigilo WikiLeaks motivou debates acalorados sobre a capacidade das democracias para agir judicialmente contra os responsáveis pela divulgação de informações vazadas".

No mundo todo, dos 196 países e territórios avaliados, 68 (35%) foram classificados como "livres", 65 (33%) foram classificados como "parcialmente livres", e 63 (32%) foram classificados como "não livres". Os 10 países pior avaliados em matéria de liberdade de imprensa no mundo são: Bielorrússia, Birmânia, Cuba, Guiné Equatorial, Eritréia, Irã, Líbia, Coréia do Norte, Turquemenistão e Uzbequistão.

Este blog é produzido pelo Centro Knight para o Jornalismo nas Américas, na Universidade do Texas em Austin, e financiado pela John S. and James L. Knight Foundation


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