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Poderopedia, o mapa do poder no Chile (Entrevista com Miguel Paz)




Revelar as conexões entre poderosos no Chile. Esse é o objetivo do Poderopedia, projeto que recebeu 200 mil dólares de financiamento e um dos 16 ganhadores do Knight News Challenge 2011. Criado pelo jornalista Miguel Paz, subdiretor do El Mostrador, e pelo webdesenvolvedor Héctor Vergara, a iniciativa propõe a criação de uma base de dados que funcione como um mapa das elites chilenas. O site investigará e ilustrará os links entre pessoas, empresas e instituições para tornar públicos possíveis conflitos de interesse. A informação obtida por participação coletiva será investigada por jornalistas profissionais. Conversamos com Miguel Paz sobre Poderopedia.

Qual é a principal utilidade deste mapa do poder para jornalistas?

Esperamos que sirva de base documental para suas investigações e lhes poupe tempo para que possam descobrir novas camadas de informação que poderemos citar no Poderopedia. Para a mídia, também pode ser uma ferramenta de contexto. Vemos isso como uma relação ganha-ganha.

Vocês conseguiram um financiamento de 200 mil dólares do Knight News Challenge. Como será o desenvolvimento do projeto?

A ideia é lançar aproximadamente um ano após a entrega do valor que conseguimos no Knight News Challenge. Em termos práticos, Poderopedia funcionará como uma base de dados selecionada editorialmente que vai mapear as relações entre os poderosos e manter registros de suas ações e eventuais conflitos de interesse. Poderopedia se alimenta de: crowdsourcing ou informações fornecidas por cidadãos; notícias publicadas nos meios de comunicação; bases de dados de acesso público e as nossas próprias investigações sobre as pessoas, empresas e organizações mais poderosas no Chile.

A quem é dirigido o projeto?

Poderopedia é um projeto pensado para ser usado por jornalistas, pesquisadores acadêmicos e cidadãos. Como também será de código aberto, durante o seu desenvolvimento o código ficará disponível em nosso repositório https://github.com/poderopedia e vamos lançar APIs para criar uma comunidade de desenvolvimento em torno do projeto e devolver o material para a mesma comunidade. Quem quiser colaborar conosco, poderá enviar comentários por e-mail: info@poderopedia.com

Quais são os critérios para que alguém seja incluído no Poderopedia como parte da elite chilena?

Dinheiro, empresas, cargos, atividades, redes, influência: política, econômica, religiosa, e assim por diante. São vários fatores que iremos afinando com o decorrer do tempo, pois este é um projeto que vai sendo elaborado e redefinido conforme avançamos.

Além de ressaltar os vínculos entre as elites do Chile, que tipo de informação específica Poderopedia divulgará sobre pessoas e empresas poderosas no país?

A oferta de conteúdos do Poderopedia inclui um perfil editorial; uma visualização do mapa de relações da pessoa, organização ou empresa; e as fontes usadas para construir o perfil. Também esperamos elaborar um ranking de poder em tempo real a partir de redes sociais e um coeficiente.

Quais as particularidades do funcionamento do poder no Chile?

Eu não sou um sociólogo para dar uma resposta acabada a sua pergunta, mas quando falamos de endogamia, falamos de um grupo que dificilmente aceita a ascensão de novos membros na escala social unicamente por seus méritos. Embora nunca tenha existido uma aristocracia no Chile, o ethos da elite está marcado dentro de códigos simbólicos, geográficos e de etiqueta muito específicos. O nome, a escola, o bairro, a universidade, o clube, a igreja, o modo como falamos e nos vestimos determinam boa parte de quem somos na estrutura de poder em todos os níveis. No Chile, como em muitos outros países do mundo, ser parte do clube facilita a vida, os negócios e fornece prestígio. Isso está mudando, mas diferenças tão básicas como o espaço entre a educação regular privada e a educação pública de má qualidade no Chile não ajudam a diminuir as desigualdades.

Você é jornalista de carreira e subdiretor do El Mostrador. Você pretende vasculhar o poder encontrado nos meios de comunicação?

A indústria de mídia é tão ou mais importante que outras. Seus proprietários e executivos muitas vezes têm mais poder que autoridades democraticamente eleitas. É lógico que são objeto de exame minucioso. É algo que no El Mostrador, por exemplo, fazemos bastante.




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