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Steve Jobs: A Apple e sua problemática relação com a imprensa




Uma semana depois da morte de Steve Jobs, repórteres, blogueiros e comentaristas continuam analisando como as tecnologias desenvolvidas pela Apple transformaram a forma como nos comunicamos e vivemos. Considerando a marca que deixou nos mundo da mídia e dos gadgets, vale discutir como Jobs, que tinha 56 anos ao morrer, lidou com a imprensa.

No artigo intitulado "Steve Jobs e Apple vs. Uma Imprensa Livre," o jornal Los Angeles Times ressaltou como a "Apple calou um jovem blogueiro e admirador, puniu uma editora por se atrever a publicar uma biografia de Jobs e, em várias ocasiões, entrou em conflito com os princípios mais básicos de uma imprensa livre." E conclui: "Steve Jobs apreciou muitas coisas, grandes e pequenas. Mas um imprensa vigorosa e sem amarras não era uma delas".

Em 2005, por exemplo, a Apple processou o blogueiro Nick Ciarelli, um adolescente, por dizer -- com razão -- que a empresa estava prestes a lançar o Mac Mini, explicou o portal Gawker. A questão acabou sendo resolvida fora dos tribunais, mas Ciarelli deu fim a seu blog, o ThinkSecret. "A Apple aplica táticas coercitivas contra a imprensa," escreveu Ryan Tate, do Gawker. "Sua primeira resposta a histórias que a desagradam é tipicamente a manipulação e a perseguição".

En 2010, depois de um funcionário da Apple perder um protótipo do iPhone, a pessoa que encontrou o telefone o vendeu para o site Gizmodo, que publicou uma análise do aparelho. A polícia, com ordem judicial, entrou na casa do editor, Jason Chen,e apreendeu quatro computadores e dois servidores, informou o próprio Gizmodo à época.

Além disso, segundo o portal MediaBistro, tanto o Gizmodo como o locutor de tecnologia da TWiT.tv Leo Laporte foram proibidos de participar dos eventos da Apple depois de transmitirem ao vivo uma coletiva de imprensa da empresa no ano passado. "Esperamos que a Apple e seu novo diretor executivo, Tim Cook, reconstruam sua relação a mídia. Vão precisar de nós qualquer dia desses", disse Marcus Vanderberg.

Apesar disso, no lançamento do iPad, uma fonte disse ao New York Times que Jobs “acredita que a democracia depende de uma imprensa livre e que isso depende da existência de uma imprensa profissional,” de acordo com o Poynter.org. "O que pudermos fazer para ajudar o New York Times, o Washington Post, o Wall Street Journal a encontrarem novas formas de expressão que garantam seu faturamento, que permitam que suas operações editoriais continuem intactas, vamos fazer”, afirmou Jobs na conferência de 2010, acrescentou o Poynter.

No entanto, como sublinhou o GigaOM, os acordos da Apple com empresas editoriais de jornais nunca foram justos. "A realidade aqui é que a Apple sabe que a maioria das empresas editoriais está entre a cruz e a espada," escreveu Mathew Ingram para o GigaOM. "As empresas de revistas e jornais estão desesperadas para encontrar alguma forma de cobrar de seus leitores e a Apple oferece o método mais fácil para fazer isso".



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