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Jornalistas mexicanos são proibidos de ir a funerais de colegas mortos como medida de proteção




Após o assassinato de quatro jornalistas em Veracruz, no México, em menos de uma semana, alguns diretores de veículos locais ordenaram que seus repórteres não fossem aos funerais de seus colegas como uma medida de proteção, informou a agência AFP.

"Agora sabemos que a ameaça continua, porque continuam aparecendo corpos", disse um repórter à AFP. Segundo seu relato anônimo, desde o assassinato da jornalista Yolanda Ordaz, em julho de 2011, as ligações anônimas a celulares de repórteres locais para censurar alguma notícia ou convocá-los a divulgar algum fato haviam parado.

Até agora, cinco dos oito jornalistas assassinados em Veracruz nos últimos 10 meses trabalhavam para o jornal local Notiver, o qual deixou de publicar o nome de seus repórteres nas notícias relacionadas com temas de segurança pública, informou o Diario de Juárez. No entanto, Notiver reproduzia as notas da revista Proceso assinadas pela repórter Regina Martínez, assassinada em 28 de abril.

Meses antes do homicídio, a jornalista havia denunciado um assalto a seu domicílio no qual levaram seu computador e dinheiro, informou o Diario de Juárez.

Em 2007, a jornalista foi demitida do jornal local Política por denunciar que uma mulher indígena havia sido violentada e assassinada por militares, desmentindo a versão oficial de morte natural, segundo o Diario. Regina Martínez cobria temas de interesse geral envolvendo tanto o crime organizado quanto membros corruptos do governo estadual, noticiou CNN México.

Até agora, as autoridades estaduais asseguram que tudo indica que os responsáveis pelos homicídios de jornalistas são integrantes do crime organizado, segundo a agência DPA; no entanto, os três fotógrafos assassinados haviam denunciado ameaças de policiais estaduais e Martínez havia alertado para ameaças recebidas do governador estadual em 2010.

Em novembro de 2011, um periódico local foi incendiado por homens armados e seu dono responsabilizou o prefeito pelo ataque. Após o atentado, a promotoria estadual confiscou os vídeos do incêndio para obstaculizar a investigação do caso.

O jornalista Jorge Carrasco também denunciou que a revista Proceso “desaparecia” em bancas de jornais de Veracruz toda vez que publicava reportagens críticas ao governo estadual de Veracruz, de acordo com CNN México.

Diante do protesto de centenas de jornalistas em várias cidades do México pelos recentes crimes contra seus colegas, o governador Javier Duarte anunciou a criação de um novo organismo para outorgar proteção a jornalistas, segundo a Proceso.

A revista designou um de seus jornalistas para dar seguimento às investigações do assassinato da repórter Regina Martínez e evitar que o crime fique impune, informou CNN México. Até a presente data, nenhum dos assassinatos de jornalistas ou ataques à veículos locais em Veracruz foi resolvido. Graças a isso, Veracruz é considerado um dos lugares mais perigosos para os jornalistas no México, que por sua vez, foi classificado como o país mais perigoso para a imprensa nas Américas.



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