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Nos EUA, investigação federal sobre vazamentos de informação levanta preocupações sobre "caça às bruxas" contra fontes




Gerando preocupações com uma possível "caça às bruxas" para as fontes jornalísticas, o procurador-geral americano, Eric H. Holder Jr., designou dois procuradores federais para comandar duas investigações criminais distintas para encontrar quem vazou informações de segurança nacional para o The New York Times, o próprio Times informou na sexta-feira, 8 de junho. A administração Obama foi acusada de vazar informações confidenciais ao jornal, que usou as informações para publicar histórias sobre ataques cibernéticos contra o Irã e sobre uma lista de terroristas marcados pra morrer.

Na sexta-feira o presidente Barack Obama negou que sua administração estivesse por trás dos vazamentos, e disse que os responsáveis ​​seriam processados​​. "Desde que eu assumi a presidência, a minha atitude tem sido de tolerância zero com esses tipos de vazamentos e especulações", disse Obama, citado pelo The New York Times. A "tolerância zero" é evidenciada pelo fato de seis denunciantes terem sido processados sob a Lei de Espionagem desde que Obama tomou posse -- número que supera o das administrações anteriores juntas, segundo a NPR, levantando dúvidas sobre o porquê da administração Obama ter se mantido, em um primeiro momento, tão passiva diante desses últimos vazamentos.

David Sanger, correspondente-chefe em Washington do The New York Times, defendeu sua matéria sobre os ataques cibernéticos contra o Irã e disse que não acredita que os vazamentos foram politicamente motivados, como alegam os Republicanos, de acordo com o Los Angeles Times. Republicanos chamaram o Comitê de Serviços Armados para conduzir as audiências sobre os vazamentos, segundo o site Politico. Dean Baquet, editor executivo do The New York Times, afirmou que é trabalho de um jornalista informar sobre questões de segurança nacional, noticiou o Huffington Post.

Os repórteres investigativos vencedores do Pulitzer Carl Bernstein e Bob Woodward, do caso Watergate expressaram preocupação com a aparente "caça às bruxas do Congresso para revelar fontes de jornalistas".

"Você deve ter muito cuidado ao criar uma caça às fontes, ainda mais uma que vai atrás de repórteres, porque agora, mais do que nunca, nós precisamos de informações reais sobre a presidência, sobre a segurança nacional, sobre todas essas áreas", salientou Bernstein, citado pela CBS News.

Um editorial do Los Angeles Times instou o Congresso a "não criminalizar a divulgação de informações que podem ter chegado aos meios de comunicação porque um funcionário do governo foi indiscreto."



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