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Sustentável? Parcial? O futuro? Saiba mais sobre o jornalismo sem fins lucrativos




Em abril de 2011, a organizacão jornalística sem fins lucrativos ProPublica recebeu seu segundo prêmio Pulitzer em dois anos, destacando a crescente importância de um modelo de jornalismo sem fins lucrativos -- modelo que alguns esperam que possa representar um futuro sustentável para o jornalismo.

Para que um veículo informativo seja considerado uma organização sem fins lucrativos nos Estados Unidos, a Receita Federal americana deve lhe conceder o status 501(c)(3). É mais fácil falar do que fazer. De acordo com um artigo de fevereiro do Poynter, existe hoje dois anos de atraso para processos de aplicação de veículos de informação para o status 501(c)(3). Isso significa que há muitas organizações jornalísticas que já adotaram modelos empresariais de entidades sem fins lucrativos, mas ainda não receberam o status junto à Receita para isenção de impostos.

O Projeto de Lei de Mídias Digitais (DMLP, na sigla em inglês) diz que um dos fatores que atrasam o processo junto à Receita é o fato de que para um organização receber o status 501(c)(3), ela deve aplicar como uma organização educacional ao invés de como uma organização jornalística, explicou o Laboratório de Jornalismo Nieman. Em 2 de Abril, o DMLP lançou um guia interativo cujo objetivo é ajudar organizações a entender melhor o processo de aplicação para o status 501(c)(3).

Então por que adotar o modelo sem fins lucrativos? De acordo com o presidente do Texas Tribune, John Thornton, o Texas Tribune escolheu o modelo sem fins lucrativos porque formas mais tradicionais de obter renda, como assinaturas e anúncios classificados, diminuíram devido à economia em crise e à prevalência de alternativas mais baratas. A ProPublica também citou a falta de renda tradicional em sua escolha em se tornar uma organização sem fins lucrativos. De acordo com a ProPublica, o jornalismo investigativo é o que vem sofrendo mais com os cortes nas redações, dando aos veículos sem fins lucrativos uma chance de preencher esse papel investigativo.

Ainda, alguns projetos sem fins lucrativos, como Mother Jones, alegam que são menos parciais que a mídia tradicional, já que são menos obrigados aos interesses corporativos. Da mesma forma, muitos sites de notícias sem fins lucrativos latinoamericanos, como o Plaza Pública na Guatemala, surgiram para escapar da corrupção, a praga da mídia tradicional latinoamericana, disse a editora Julie Lopez da Plaza Pública.

No entanto, o status de veículo sem fins lucrativos não garante imediatamente um jornalismo balanceado. De acordo com o Centro de Pesquisa Pew, as entidades sem fins lucrativos mais neutras “[costumam] ter vários patrocinadores, mais fluxo de renda, mais transparência e mais conteúdo com uma profunda bancada de jornalistas." Em contrapartida, as entidades mais ideológicas costumam ser patrocinadas por uma organização, explica o Centro Knight para o Jornalisma nas Américas.

O financiamento é extremamente importante para o jornalismo sem fins lucrativos, uma vez que não apenas "constrói ou destrói" uma organização de mídia, mas também é um indicador-chave da integridade do seu conteúdo. Os mais bem sucedidos sites de organizações sem fins lucrativos de mídia dependem de uma fonte diversificada de renda, informou o Centro Knight. Mother Jones depende de assinaturas de revistas, doações e anúncios. O Texas Tribune "é financiado por contribuições individuais, doações maiores, patrocínios empresariais e doações de fundações. O Tribune também gera receita a partir da organização de eventos e publicações especializadas", disse a organização.

No entanto, o Texas Tribune foi recentemente acusado de ser parcial pelo blogueiro Stephen Robert Morse, quando publicou uma história sobre o chanceler do Texas A&M, John Sharp, sem revelar que a A&M é uma empresa patrocinadora do Tribune. Para evitar polêmica semelhante, alguns editores, como Michael Stoll da sem fins lucrativos SF Public Press, dizem estar comprometidos com um sistema de doações menores, de acordo com MediaShift PBS.

Mesmo confrontado com o recente sucesso de organizações de mídia sem fins lucrativos, críticos como o consultor de mídia Alan Mutter ainda alegam que o modelo de mídia sem fins lucrativos é insustentável. Em 2010, dois premiados sites de notícias sem fins lucrativos, o Washington Independent e o The New Mexico Independent, acabaram por problemas financeiros.

No ano passado, em uma entrevista com o Centro Knight para o Jornalismo nas Américas, o jornalista peruano Gustavo Gorriti comentou sobre a dificuldade de obtenção de financiamento sustentável. Gorriti sugeriu na entrevista que a criação de um modelo de "publicidade justa" pode ser uma opção viável de financiamento para os veículos sem fins lucrativos no futuro. Enquanto isso, as parcerias entre grandes meios de comunicação tradicionais e as organizações de notícias sem fins lucrativos, como a que há entre NBC e ProPublica, tornaram-se popular.

De acordo com o PBS MediaShift, essas parcerias oferecem o conteúdo muito necessário para os contraídos mercados tradicionais e uma ampla distribuição para entidades sem fins lucrativos, que muitas vezes não possuem redes de distribuição sólidas. Devido a parcerias como estas, fundadores de veículos sem fins lucrativos como John Thornton dizem estar confiantes que suas publicações vão resistir ao teste do tempo, apesar dos muitos desafios que ainda enfrentam.



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