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Jornalista político é executado a tiros no Maranhão



O jornalista e blogueiro político Décio Sá foi executado com seis tiros por volta das 23h30 desta segunda-feira, 23 de abril, na Avenida Litorânea, em São Luís, capital do Maranhão, informou o portal G1. Este já é o sexto jornalista assassinado no Brasil em menos de cinco meses.

Sá tinha 42 anos e era repórter de política do jornal O Estado do Maranhão, além de autor de um dos blogs mais acessados da região. Ele era conhecido na capital maranhense por denúncias contra setores públicos e políticos, de acordo com a coluna Esplanada.

Segundo a Agência Estado, a Secretaria de Segurança Pública do Maranhão confirmou que o jornalista levou seis tiros de um homem que estava em uma motocicleta, em um bar localizado no início da Avenida Litorânea, um dos principais cartões postais de São Luís. Os tiros foram disparados de uma pistola calibre 40, de uso exclusivo da polícia.

As investigações preliminares indicam que se trata de crime por encomenda. "O fato de a pessoa ter agido com o apoio de outra, ter entrado até o fundo do bar, ido ao banheiro, esperado ele retornar e disparar contra a vítima seis tiros, sem dar chance dele escapar, tudo isso indica de que o crime tenha sido premeditado", afirmou o delegado responsável pelo caso, citado pelo G1. Segundo ele, o blog do jornalista também pode conter pistas sobre o autor do crime.

De acordo com o blog do Gilberto Léda, a Polícia Federal vai auxiliar a Polícia Civil do Estado do Maranhão nas investigações para determinar, além do autor, o mentor intelectual do homicídio.

O assassinato repercutiu nas redes sociais e colegas de profissão se declararam de luto pelo crime. "No Maranhão, se fala, morre. Se cala, morre do mesmo jeito, num pântano de silêncios. Chocado com a execução do jornalista", comentou o jornalista Alex Palhano, citado pelo Jornal O Imparcial. Veja no Storify a seguir, organizado pelo Centro Knight, uma seleção de mensagens postadas nas redes sociais em solidariedade à Sá.

A escalada da violência contra jornalistas confirma, infelizmente, uma tendência já assinalada na última classificação mundial da liberdade de imprensa publicada por Repórteres sem Fronteiras, na qual o Brasil surge na 99ª posição, após uma queda de 41 lugares.

Apenas nestes primeiros meses de 2012, o Centro Knight para o Jornalismo nas Américas relatou a morte de outros cinco jornalistas brasileiros -- Laércio de Souza, Mario Randolfo Marques Lopes, Paulo Roberto Cardoso Rodrigues, Onei de Moura e Divino Aparecido Carvalho -- embora, com as investigações ainda em curso, nem todos os crimes possam estar necessariamente ligados ao trabalho jornalístico.

De acordo com o International News Safety Institute (INSI), no ano passado, o Brasil foi o 8º país mais perigoso do mundo para jornalistas e agora, segundo dados divulgados pela ONG suíça Press Emblem Campaign (PEC), o país está em segundo lugar no ranking de 2012, atrás apenas da Síria.

Além de assassinatos, episódios de ameaças, agressões e mesmo destruição de meios de comunicação colocam em risco a liberdade de expressão no país.



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