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Blog JORNALISMO NAS AMERICAS

Pioneiro dos blogs critica como jornalistas lidam com a indústria de tecnologia no ISOJ 2019




Por Allyson Ortegon

Depois que o refrão de “Yellow Submarine”, dos Beatles, encheu a sala, Dave Winer, um dos pioneiros dos blogs e editor do blog da Scripting News, criticou os meios de notícias na 20ª edição do Simpósio Internacional de Jornalismo Online (ISOJ) em 13 de abril.

(Erika Rich/Knight Center)

Winer encorajou todos a cantar junto com ele, para "sair de dentro de suas cabeças" e estar prontos a fazer perguntas.

O método se mostrou eficaz e a conversa começou com Rebecca MacKinnon, diretora do projeto Ranking Digital Rights e cofundadora do Global Voices, entrevistando Winer, a quem ela apelidou de “Blogger Número Um”.

Winer refletiu sobre como ele não acordou um dia e decidiu lançar um blog. Pelo contrário, foi um processo gradual de muitas decisões ao longo do tempo que levou à sua reputação na blogosfera.

Começando na indústria de tecnologia, Winer teve muitos contatos em várias conferências e começou sua própria empresa de software no início dos anos 1980. Ele escreveu um texto e enviou emails para um grupo de 11 pessoas com reflexões sobre a indústria de computadores.

"Era basicamente spam, mas isso foi antes que o spam existisse".

Ele então teve uma epifania: ele poderia enviar seus próprios pensamentos e opiniões, em vez dos pensamentos e opiniões de outras pessoas. Com esse conhecimento em mente e depois que vendeu sua empresa, Winer começou a avaliar outras empresas de tecnologia e enviar-lhes feedback.

Winer admitiu que eles não seguiram seus conselhos, mas ele acabou recebendo algumas respostas. Seus posts que traziam tanto suas reflexões e as respostas que recebeu levaram a alguma atenção a essa coisa nova que ele estava fazendo.

“Isso levou à próxima epifania - uau, isso muda como tudo funciona. Isto é diferente."

A diferença era que ele podia fazer alguma coisa só porque tinha a ideia, não porque tivesse alguma posição ou meios especiais, de acordo com Winer. Ele escreveu um texto abordando um empreendimento de Bill Gates e recebeu uma resposta de Gates, que ele também postou.

"Isso fez a Terra tremer ... e continuou crescendo."

Winer apontou que não havia nenhum ponto específico em seus anos de experimentação e de trabalho que ele considerava como o produto final. Mesmo quando o ato de fazer um blog foi entendido e nomeado, não foi este o objetivo final.

“É assim que a evolução tecnológica funciona - você está se sentindo em uma espécie de quarto escuro e está tentando pegar coisas aqui e ali, e se você achar que há algo aqui, você vai nessa direção por um tempo."

Winer acabou adicionando “escritor” a uma lista de credenciais que inclui ter trabalhado para a Wired e ganhado uma bolsa de pesquisa em Harvard, enquanto crescia na indústria de tecnologia.

Embora ele tivesse excelentes credenciais, ele enfrentou um obstáculo que usou para transformar a conversa no ISOJ em uma chamada à ação. O obstáculo envolveu sua experiência com jornalistas.

"Meu apelo hoje é que devemos estar trabalhando, devemos colaborar uns com os outros."

Winer disse que essa não foi sua experiência desde o início. Quando ele se viu trabalhando ao lado de jornalistas, era mais como se eles se sentissem “ameaçados” e tratassem os blogueiros como se eles não tivessem as mesmas qualificações.

Isso levou a mais críticas a práticas do jornalismo, incluindo a frequência com que o Facebook é usado apenas como um método de distribuição, em vez de um local para reunir fontes de seus usuários.

"Eles podem não ser blogueiros, mas eles amam ser fontes e, portanto, devemos expandir nossa visão de onde vamos para encontrar nossas fontes."

MacKinnon pegou a referência e pediu a Winer para expandir sua opinião sobre o Facebook. Embora Winer tenha apontado algumas falhas, ele enfatizou como “o Facebook apresentou um desafio ao jornalismo, ao qual o jornalismo ainda não respondeu”.

"Por que você não competiu com eles?"

Winer disse que o setor de jornalismo deveria ter tentado criar um modelo competitivo em vez de buscar ganhar dinheiro com o Facebook ou demonizá-lo. O lugar onde a indústria do jornalismo falha e Facebook é bem sucedido é a chance de todos contribuírem para as notícias, de acordo com Winer. Ele disse que os jornalistas agem como se as únicas pessoas que se preocupam com jornalismo são os jornalistas.

"Não há barreiras para entrar lá", disse Winer. "É por isso que eles ganham dinheiro e, se o jornalismo quiser dinheiro, ele não virá do Facebook sem contrapartidas. Ele virá com as contrapartidas mais odiosas que se possa imaginar. ”

Winer também pediu que os jornalistas lidem melhor com a indústria de tecnologia.

"É chocante para mim como eles entendem tudo errado."

Ele citou a cobertura dos emails de Hillary Clinton na eleição de 2016 e disse que achava que havia coisas que os jornalistas não entendiam, como por exemplo um servidor de email não ser uma coisa nefasta. A solução que ele ofereceu foi administrar campos de treinamento com jornalistas e especialistas em ciência da computação.

"Está na hora de o jornalismo assumir alguma responsabilidade", disse Winer. "Ok, você não tem um diploma em ciência da computação, mas você pode ter acertar na sua reportagem."

Ele concluiu com conselhos para jornalistas competirem com o Facebook, abrir o jornalismo para as pessoas e reiterou a esperança de que as indústrias de tecnologia e jornalismo trabalhem juntas no futuro.

“Temos que trabalhar juntos. Isso é um apelo.”

A transmissão ao vivo do ISOJ em inglês e espanhol pode ser encontrada em isoj.org.




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